O futuro das reuniões corporativas está a mudar com a Meta

Parece um cenário saído diretamente de um episódio de Black Mirror, mas é a mais recente realidade que chega de Menlo Park. Mark Zuckerberg, o CEO da Meta, está, segundo relatos do Financial Times, a desenvolver um 'clone' digital de si próprio. A ideia não é apenas ter um avatar para jogar videojogos no metaverso, mas sim uma inteligência artificial treinada para o substituir em reuniões internas, capaz de interagir com colaboradores e fornecer feedback direto.

Como funciona esta tecnologia?

O desenvolvimento desta IA vai muito além de um simples chatbot. A Meta está a alimentar os modelos com décadas de registos de vídeo, áudio, tom de voz e até as idiossincrasias comportamentais do próprio Zuckerberg. O objetivo é criar uma representação digital tão fiel que os próprios funcionários possam sentir que estão a falar com o verdadeiro CEO. Isto levanta questões fascinantes sobre a evolução dos Large Language Models (LLMs) e a forma como estes podem escalar a personalidade e a tomada de decisão de um líder.

O impacto para a inovação e o mundo do trabalho

Para quem segue de perto o mundo da tecnologia, esta notícia é um marco. Se Zuckerberg conseguir delegar a sua 'presença' em reuniões menores, a eficiência na gestão de uma empresa da dimensão da Meta poderá sofrer uma mudança de paradigma. No entanto, o impacto para os entusiastas da inovação é mais profundo: estamos a assistir à normalização do 'Digital Twin' (gémeo digital) executivo. Até que ponto será esta tecnologia acessível a outros gestores? E quais as implicações éticas de um colaborador ser avaliado ou gerido por uma versão sintetizada do seu superior hierárquico?

Onde termina o homem e começa a máquina?

A visão da Meta para o futuro sempre foi a fusão entre o digital e o físico. Ao implementar um clone de IA para representá-lo, Zuckerberg está a testar a fronteira da confiança. Se a tecnologia funcionar, poderemos ver, num futuro próximo, executivos a estarem presentes em múltiplas reuniões simultaneamente, através de avatares com capacidade de processamento em tempo real. Esta é, sem dúvida, a prova de que a inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de produtividade para se tornar numa extensão da nossa própria identidade profissional.