
A APDC (Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações) anunciou hoje, no âmbito do STEM Women Congress Lisboa 2026, os quatro projetos vencedores da segunda edição do Prémio Women Shaping Tech. Esta iniciativa tem como objetivo central reforçar a presença de raparigas e mulheres nas áreas STEM — Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática —, através de um apoio financeiro global que ultrapassa os 51 mil euros para ampliar o impacto de projetos já estabelecidos.
Um compromisso da APDC com a igualdade nas áreas STEM
Lançado originalmente pela APDC em 2025, o prémio Women Shaping Tech distingue-se de outros apoios por não se focar em ideias em fase embrionária. Pelo contrário, a estratégia da associação passa por acelerar o impacto de programas que já demonstraram resultados tangíveis e que possuem condições para escalar, chegando a mais territórios e beneficiando um número crescente de participantes. Nesta 2ª edição, as ações previstas deverão abranger diretamente cerca de 710 crianças e jovens, com a participação feminina estimada em pelo menos 400 raparigas.
Sandra Fazenda de Almeida, diretora-geral da APDC, sublinha a urgência desta transição do discurso para a prática. "Há muito que se reconhece a necessidade de aumentar a participação das mulheres nas STEM, mas os progressos continuam aquém do necessário. Com o Women Shaping Tech, queremos passar do compromisso à ação, investindo em projetos que já deram provas da sua capacidade de gerar resultados e que precisam de apoio para crescer. É uma forma concreta de acelerar a igualdade de oportunidades e de envolver as empresas nessa transformação", afirma a responsável.
Os quatro projetos vencedores e o seu impacto direto
As iniciativas selecionadas pela APDC nesta edição abrangem uma diversidade de abordagens, desde o contacto direto com cientistas até à criação de laboratórios tecnológicos móveis no interior do país. Conheça em detalhe os projetos premiados:
1. Cientista Regressa à Escola (Associação Native Scientist)
Com um apoio de 10.000 euros, este projeto foca-se em levar cientistas de volta às escolas onde estudaram ou às suas terras de origem. O objetivo é combater estereótipos de género e sociais ao mostrar que a ciência é um caminho acessível. O financiamento permitirá realizar oficinas práticas para cerca de 160 crianças do 4.º ano em concelhos como Guarda, Mêda, Trancoso e Aguiar da Beira. Historicamente, 53% das crianças que participam nestas oficinas e que não se imaginavam como cientistas passam a considerar essa possibilidade profissional.
2. Technovation Bootcamps in Company (Associação EDruptiva)
Este projeto recebeu 18.900 euros para organizar cinco bootcamps de 30 horas cada. Destinado a jovens entre os 12 e os 15 anos, o programa permite que as participantes desenvolvam aplicações informáticas e trabalhem diretamente com profissionais do setor tecnológico. Estima-se o envolvimento de 100 raparigas e 25 mentores. A iniciativa inclui ainda formação específica em áreas críticas como a inteligência artificial responsável, liderança e comunicação.
3. Laboratório Móvel STEM no Feminino (Agrupamento de Escolas de Vila Flor)
Com um financiamento de 7.500 euros, este laboratório móvel levará tecnologias de robótica, programação e realidade virtual e aumentada às alunas do Agrupamento de Escolas de Vila Flor. O projeto visa envolver 150 raparigas (dos 10 aos 18 anos) na criação de soluções tecnológicas para desafios locais, como a agricultura e o clima. Os equipamentos adquiridos permanecerão na escola, garantindo que a aprendizagem continue após o período de financiamento.
4. Future STEMERS 2.0 – STEM for Good (Associação Inspiring Girls Portugal)
A Inspiring Girls Portugal recebeu 15.000 euros para dar continuidade ao Future STEMERS. Nesta nova fase, o foco está na utilização da tecnologia para resolver problemas comunitários. O projeto chegará a 300 jovens de 15 turmas (3.º ciclo e secundário), garantindo que 80% das turmas se localizam fora das grandes áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. A turma com a melhor solução digital terá direito a uma experiência imersiva numa empresa tecnológica.
Descentralização e o papel das empresas tecnológicas
Um dos pontos fortes realçados pela APDC nesta edição é a descentralização. Grande parte dos projetos foca-se em regiões do interior e em comunidades com menor acesso a recursos tecnológicos. Sandra Fazenda de Almeida reforça que o verdadeiro efeito multiplicador reside na criação de recursos duradouros e no envolvimento das empresas. "É particularmente importante que estas oportunidades cheguem também às raparigas do interior, onde o contacto com a ciência e a tecnologia e com referências femininas nestas áreas pode ser mais limitado", explica a diretora-geral.
A viabilização destes prémios é possível graças ao apoio de 11 empresas parceiras que se associaram à APDC nesta causa:
- .PT
- Accenture
- DXC Technology
- Inetum
- NOS
- Celfocus
- NTT DATA
- MEO
- Galp
- Medicare
Estes parceiros financiam não só os prémios em dinheiro, mas também disponibilizam, em vários casos, mentoria e espaços para a realização das atividades. A execução dos quatro projetos selecionados deverá prolongar-se até ao Verão de 2027.
Perguntas Frequentes
O que é o Prémio Women Shaping Tech da APDC?
É uma iniciativa da APDC – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações que visa apoiar financeiramente projetos já existentes que promovam a igualdade de género e a participação de raparigas nas áreas da Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM).
Quais são as áreas abrangidas pelos projetos vencedores em 2026?
Os projetos vencedores focam-se em oficinas de ciência prática, bootcamps de programação e desenvolvimento de aplicações, laboratórios móveis de robótica e desafios de inovação tecnológica para resolver problemas das comunidades locais.
Quem são os principais beneficiários destas iniciativas?
Os projetos destinam-se a cerca de 710 crianças e jovens estudantes, com um foco direto em pelo menos 400 raparigas, abrangendo desde o ensino básico até ao ensino secundário, com especial incidência em regiões fora dos grandes centros urbanos.
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