
O relatório da Check Point Research sobre o terceiro trimestre de 2026 revela que a Microsoft é a marca mais imitada em ataques de phishing, atingindo os 33%.
A Check Point Research, a divisão de inteligência de ameaças da Check Point Software Technologies, acaba de divulgar o seu mais recente relatório trimestral focado em ataques de imitação de marca. Segundo os dados recolhidos, a Microsoft consolidou a sua posição como o alvo preferencial dos cibercriminosos, representando agora uma em cada três tentativas de phishing a nível global. Este valor de 33% representa uma subida significativa face aos 23% registados no trimestre anterior, sublinhando uma tendência de intensificação no uso de serviços de produtividade na nuvem para enganar utilizadores em ambiente profissional e pessoal.
A ascensão da Microsoft e o ecossistema de ameaças da Check Point Research
A prevalência da Microsoft neste ranking não é acidental. Ao imitarem uma marca que sustenta a infraestrutura de milhões de empresas — através do Office 365, Outlook e Teams — os atacantes garantem uma maior probabilidade de sucesso. De acordo com a Check Point Research, o objetivo principal nestes casos é o roubo de credenciais de acesso, que posteriormente podem ser utilizadas para ataques de Business Email Compromise (BEC), espionagem industrial ou a implementação de ransomware em redes corporativas.
O que é o phishing de imitação de marca?
Para quem não está familiarizado com o termo, o phishing de imitação de marca ocorre quando criminosos criam uma página web ou uma comunicação que parece provir de uma fonte oficial e fidedigna. A investigação da Check Point Research detalha que estas campanhas são desenhadas para que o utilizador, ao ver o logótipo e o design familiar, baixe a guarda e insira dados sensíveis, como palavras-passe ou números de cartões de crédito.
Apple, Docusign e a exploração de ferramentas de IA e produtividade
Embora a Microsoft domine as estatísticas, a investigação identifica também campanhas agressivas que utilizam a identidade de outras marcas globais. O relatório destaca nomes como a Apple, Docusign, Google Antigravity e até a Claude (a plataforma de inteligência artificial da Anthropic). O uso da Claude demonstra que os cibercriminosos acompanham as tendências tecnológicas, aproveitando a curiosidade e a crescente adoção de ferramentas de IA para criar novos engodos.
Entre os casos analisados pela Check Point Research, destacam-se estratégias diversificadas de ataque:
- Claude: Foi detetado um falso aviso de pagamento no valor de 500 euros, desenhado para induzir pânico e levar o utilizador a clicar num link malicioso.
- Apple: Utilização de páginas de suporte técnico fraudulentas que imitam o design oficial da marca da maçã para recolher dados financeiros e IDs Apple.
- Docusign: Uma alegada atualização crítica da plataforma de assinaturas digitais foi utilizada para distribuir software de gestão remota (RATs), permitindo que os atacantes assumam o controlo total do computador da vítima.
- Google Antigravity: Identificação de campanhas que usam o nome do gigante tecnológico para induzir a execução de comandos maliciosos no terminal do utilizador.
As dez marcas mais imitadas segundo a Check Point Research
O relatório trimestral inclui um ranking detalhado que serve de alerta para os utilizadores portugueses. Conhecer as marcas mais visadas permite um escrutínio maior sempre que recebemos uma notificação não solicitada. A lista das dez marcas mais imitadas no terceiro trimestre de 2026 reflete uma mistura de serviços de tecnologia, redes sociais e logística.
O perigo do software de acesso remoto (RAT)
Um dos pontos mais alarmantes levantados pela Check Point Research neste trimestre é o uso de falsas atualizações da Docusign para instalar ferramentas de acesso remoto. Ao contrário do phishing tradicional, que visa apenas roubar uma palavra-passe, a instalação de um RAT (Remote Access Tool) permite que o cibercriminoso veja o ecrã do utilizador, aceda à webcam, instale outros vírus e roube ficheiros em tempo real, sem que a vítima se aperceba da intrusão.
Recomendações de prevenção e segurança cibernética
A Check Point Software insiste na importância da literacia digital como primeira linha de defesa. No contexto de Portugal, onde o uso de ferramentas de assinatura digital e serviços na nuvem é cada vez mais comum no tecido empresarial, as precauções devem ser redobradas. A investigação sugere que os utilizadores devem verificar sempre o remetente real do e-mail, desconfiar de tons de urgência extrema e evitar clicar em links diretamente a partir de mensagens suspeitas, optando antes por aceder ao site oficial através do navegador.
A implementação de autenticação de dois fatores (2FA) é outra recomendação vital. Mesmo que um atacante consiga roubar a credencial da Microsoft ou da Apple através de um destes sites falsos identificados pela Check Point Research, o acesso será bloqueado pela necessidade do segundo código de validação no telemóvel do utilizador.
Perguntas Frequentes
Porque é que a Microsoft é o principal alvo de phishing?
A Microsoft é a marca mais visada devido à sua enorme base de utilizadores empresariais. Ao obter as credenciais de uma conta Microsoft, o atacante ganha frequentemente acesso a todo o ecossistema da empresa, incluindo documentos confidenciais no OneDrive e comunicações internas no Teams.
Como posso distinguir um e-mail falso da Docusign ou da Apple?
Verifique o endereço de e-mail do remetente (não apenas o nome que aparece). Desconfie se a mensagem solicitar o download de ficheiros executáveis ou atualizações de software fora das lojas oficiais. Se tiver dúvidas, aceda diretamente ao site da marca digitando o endereço no seu navegador.
O que devo fazer se introduzi os meus dados num site falso?
Deve alterar imediatamente a sua palavra-passe no serviço afetado e em todos os outros onde utilize a mesma combinação. Ative a autenticação de dois fatores e, se tiver fornecido dados bancários, contacte o seu banco para cancelar cartões ou monitorizar transações suspeitas.
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