
A Schneider Electric revelou que a escassez de água é um dos maiores riscos para a indústria europeia, afetando custos e a continuidade de negócio até 2031.
A água como novo risco crítico para a indústria europeia segundo a Schneider Electric
A Schneider Electric, líder global na transformação digital da gestão de energia e automação, divulgou recentemente o ‘The Water Crunch Report’. Esta nova investigação revela que a água se tornou um dos maiores riscos para a continuidade do negócio industrial no Reino Unido e na Europa. Surpreendentemente, este fator está agora ao mesmo nível de ameaças tradicionalmente prioritárias, como os ciberataques e as disrupções nas cadeias de abastecimento globais.
Esta conclusão não surge isolada. O estudo da Schneider Electric alinha-se com uma investigação anterior focada nos EUA, onde 56% dos líderes empresariais já previam que os riscos relacionados com a água cresceriam mais depressa do que outros riscos de infraestruturas. Na Europa, o cenário é agora de urgência, com o stress hídrico a afetar diretamente os custos operacionais e a resiliência das organizações.
O que é o stress hídrico e porque importa para a indústria?
O stress hídrico ocorre quando a procura de água excede a quantidade disponível durante um determinado período ou quando a sua qualidade limita a sua utilização. Para a indústria, isto não é apenas um problema ecológico; é um problema de viabilidade económica. Setores como a energia, a indústria farmacêutica e a produção de alimentos e bebidas dependem de fluxos constantes de água para processos de arrefecimento, limpeza e como ingrediente direto. A escassez interrompe estas linhas, forçando paragens que podem custar milhões de euros.
O impacto real do stress hídrico nas operações industriais
De acordo com o ‘The Water Crunch Report’ da Schneider Electric, os efeitos do stress hídrico já se fazem sentir de forma tangível. Nos últimos dois anos, os líderes industriais inquiridos reportaram as seguintes consequências:
- Aumento de custos: 44% dos líderes afirmam que o stress hídrico já aumentou os seus custos operacionais.
- Pressão financeira: 38% sentiram pressão direta nos orçamentos destinados a infraestruturas e manutenção.
- Cadeias de abastecimento: 30% registaram disrupções significativas nos seus fornecedores devido à falta de água.
- Paragens imediatas: Se ocorresse hoje uma interrupção grave no abastecimento, 44% das empresas admitem que as suas operações seriam afetadas em menos de 24 horas.
O relatório sublinha que mais de metade (52%) dos líderes industriais europeus prevê que a qualidade ou disponibilidade da água se torne uma barreira crítica ao crescimento das suas organizações até 2031. Atualmente, 14% das empresas já consideram que este problema é um entrave real às suas operações diárias.
Eficiência hídrica: O desafio da implementação tecnológica
Um dos pontos mais críticos levantados pela Schneider Electric é a lacuna entre o conhecimento técnico e a sua aplicação prática. Gwenaelle Huet, Executive Vice President de Industrial Automation da Schneider Electric, destaca que a Europa não pode tratar a água apenas como uma questão ambiental, mas sim como um fator de competitividade. "A eficiência hídrica vai moldar a próxima década industrial", afirma a executiva.
Apesar de 86% dos líderes industriais e 98% das empresas de serviços de água reconhecerem que a tecnologia inteligente pode reduzir custos e proteger a continuidade do negócio, a implementação está atrasada:
- 58% dos líderes conhecem ferramentas de modelação de redes e gémeos digitais, mas ainda não as instalaram.
- 57% das empresas de serviços de água ainda não adotaram analítica preditiva ou gestão de água suportada por IA.
- Apenas 2,4% das águas residuais urbanas tratadas são atualmente reutilizadas na União Europeia, um número drasticamente baixo face às necessidades.
Gémeos Digitais e IA: As ferramentas da Schneider Electric
Para combater este cenário, a Schneider Electric promove o uso de "Gémeos Digitais". Um gémeo digital é uma réplica virtual de uma infraestrutura física (como uma rede de tubagens ou uma fábrica) que utiliza dados em tempo real para simular cenários. Com esta tecnologia, as empresas podem prever fugas, otimizar o consumo e testar o impacto de secas antes que elas ocorram, transformando a gestão reativa em proativa.
Casos de sucesso e a visão estratégica para 2026-2031
Sophie Borgne, Water & Environment Segment President da Schneider Electric, recorda que cerca de metade da UE e do Reino Unido estão sob algum nível de seca. No entanto, existem exemplos positivos. A empresa dinamarquesa Aarhus Vand utiliza a solução EcoStruxure™ Water Advisor – Water Simulation da Schneider Electric para monitorizar remotamente a sua rede. Esta tecnologia permite identificar fugas e flutuações com precisão, garantindo um abastecimento fiável e reduzindo o consumo de energia.
A investigação da Schneider Electric, conduzida pela Censuswide em junho de 2026, abrangeu 340 líderes em países como o Reino Unido, Alemanha, França, Espanha, Itália e os países nórdicos. Os dados mostram que a mudança de mentalidade está a acontecer: 47% das empresas aumentaram o investimento em eficiência hídrica e 43% já levam o risco hídrico às reuniões de conselho de administração.
Perguntas Frequentes
Como é que a escassez de água afeta a indústria em Portugal?
Em Portugal, tal como no resto do sul da Europa, a escassez de água aumenta os custos de produção e pode limitar a capacidade de expansão de fábricas, especialmente nos setores agroalimentar e têxtil, que dependem fortemente deste recurso para as suas operações diárias.
O que é o EcoStruxure™ Water Advisor da Schneider Electric?
É uma solução digital que utiliza modelos de simulação e análise de dados em tempo real para ajudar as empresas e municípios a gerir as suas redes de água, permitindo detetar fugas, reduzir desperdícios e otimizar a eficiência energética do sistema.
Porque é que a reutilização de água é tão baixa na Europa?
Segundo a Schneider Electric, apenas 2,4% da água tratada é reutilizada devido a uma combinação de falta de infraestruturas dedicadas, barreiras regulatórias e a necessidade de maior investimento em tecnologias de tratamento avançado que permitam devolver a água ao ciclo industrial com segurança.
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