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VineAdapt2Climate: UTAD apresenta soluções para adaptar a viticultura às alterações climáticas

VineAdapt2Climate: UTAD apresenta soluções para adaptar a viticultura às alterações climáticas

O projeto VineAdapt2Climate e a resiliência do setor vitivinícola

O projeto VineAdapt2Climate, liderado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), vai organizar um workshop final no próximo dia 30 de outubro, na Quinta do Bomfim, no Pinhão. O evento tem como objetivo central a apresentação de soluções inovadoras e estratégias de adaptação da viticultura portuguesa face aos desafios crescentes impostos pelas alterações climáticas. Esta iniciativa surge num momento crítico, em que a viticultura se afirma como uma das atividades agrícolas mais vulneráveis a fenómenos meteorológicos extremos, exigindo uma resposta baseada em conhecimento científico rigoroso e aplicado ao terreno.

A viticultura em Portugal, especialmente em regiões de relevo acentuado como o Douro ou de calor intenso como o Alentejo, enfrenta riscos que podem comprometer a qualidade da uva e a viabilidade económica das explorações. O VineAdapt2Climate foi desenhado precisamente para colmatar esta necessidade, focando-se na modelação e projeção climática. O objetivo é identificar estratégias de adaptação que sejam ajustadas às diferentes realidades vitivinícolas do país, permitindo que os produtores e técnicos tomem decisões mais informadas e sustentáveis.

Uma abordagem de Living Lab no Douro e no Alentejo

Um dos pilares fundamentais do VineAdapt2Climate é a sua metodologia de "Living Lab". Esta abordagem permitiu testar e aplicar o conhecimento científico diretamente nas regiões do Douro e do Alentejo, transformando dados complexos em orientações práticas para quem trabalha a vinha diariamente. Ao analisar o comportamento das videiras em condições reais, o projeto conseguiu estabelecer uma ligação direta entre o conhecimento académico e as necessidades concretas do setor produtivo.

A importância deste trabalho de campo tornou-se ainda mais evidente durante a vindima de 2026. Este ano foi marcado por condições climáticas particularmente desafiantes, incluindo a antecipação do ciclo vegetativo das plantas e a ocorrência de episódios de calor extremo. Estes eventos serviram de prova de esforço para as estratégias desenvolvidas pelo VineAdapt2Climate, demonstrando que a adaptação não é apenas uma necessidade futura, mas uma urgência atual. A análise detalhada à escala da parcela revelou como diferentes castas e métodos de condução respondem ao stresse térmico e hídrico.

Parcerias estratégicas e inovação no âmbito do PRR

O VineAdapt2Climate não é um esforço isolado da academia. Integrado nas Agendas Mobilizadoras para a Inovação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), especificamente na Agenda Vine & Wine PT — "Vine and Wine Portugal – Impulsionando o Crescimento Sustentável Através da Inovação Inteligente" —, o projeto conta com uma rede de parceiros de peso. Além da liderança da UTAD, a iniciativa integra:

  • ADVID: Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense, fundamental na ponte entre a investigação e a prática agrícola.
  • Symington Family Estates: Um dos principais produtores de vinho do Porto e do Douro, disponibilizando terreno e experiência técnica.
  • Esporão S.A.: Referência na produção vitivinícola, com forte presença no Alentejo e foco na sustentabilidade.

Esta colaboração multissetorial garante que as ferramentas de modelação climática desenvolvidas não fiquem guardadas em gavetas, mas que sejam integradas nos planos de gestão das empresas vitivinícolas portuguesas.

Destaques do Workshop Final na Quinta do Bomfim

O workshop agendado para 30 de outubro será o culminar de meses de investigação e trabalho de campo. O programa foi desenhado para promover o debate entre produtores, técnicos e investigadores, contando com a presença de figuras internacionais de relevo. Entre os oradores principais destaca-se Nathalie Ollat, professora em Bordéus no ISVV, investigadora do INRAE e Coordenadora Científica do Programa LACCAVE, que partilhará a experiência francesa na adaptação da vitivinicultura às alterações climáticas.

Os resultados específicos do projeto VineAdapt2Climate serão detalhados por André Fonseca, do CITAB/UTAD, que apresentará as conclusões sobre as projeções climáticas e os eventos extremos monitorizados. O evento incluirá ainda uma componente prática muito forte, com um curso técnico ministrado por Fernando Alves, da Symington Family Estates, e Rui Flores, da Esporão S.A., focado nos desafios e soluções práticas para aumentar a resiliência das vinhas.

O que muda na prática para o viticultor?

A informação gerada pelo VineAdapt2Climate permite ao viticultor antecipar cenários. Ao compreender como o clima vai evoluir na sua parcela específica, o produtor pode ajustar as podas, a gestão da canópia, os sistemas de rega (quando aplicável) ou até ponderar a introdução de castas mais resistentes ao calor. O projeto foca-se na personalização da solução, pois uma estratégia que funciona no Alentejo pode não ser a ideal para as encostas do Douro.

Perguntas Frequentes

O que é o projeto VineAdapt2Climate?

É um subprojeto integrado na Agenda Vine & Wine PT do PRR, liderado pela UTAD, que se foca na modelação climática e na criação de estratégias de adaptação para a viticultura portuguesa face às alterações climáticas.

Qual o papel da UTAD no VineAdapt2Climate?

A UTAD lidera o projeto, sendo responsável pela coordenação científica, desenvolvimento de modelos de projeção climática e articulação entre os parceiros ADVID, Symington e Esporão.

Quando e onde decorre o workshop final?

O workshop final realiza-se no dia 30 de outubro, na Quinta do Bomfim, situada no Pinhão, em pleno coração do Alto Douro.

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