O Panorama da Inteligência Artificial em Portugal segundo a Cegid
Um novo estudo da Cegid revela que as empresas em Portugal estão a adotar a Inteligência Artificial rapidamente, mas apenas 34% oferecem formação específica aos colaboradores.
A Cegid, líder europeu em soluções de gestão empresarial na cloud, acaba de publicar a segunda parte do estudo “O momento da verdade da IA nas empresas”, conduzido pela OpinionWay. O levantamento envolveu 2006 profissionais em quatro mercados europeus: Alemanha, Espanha, França e Portugal. Os dados recolhidos traçam um cenário de contrastes: enquanto o acesso à tecnologia cresce a um ritmo galopante, a preparação das equipas para lidar com estas ferramentas está a ficar para trás.
Segundo o estudo, as organizações portuguesas estão a colocar as ferramentas de Inteligência Artificial (IA) nas mãos dos trabalhadores mais depressa do que os conseguem preparar para a sua utilização eficaz e responsável. Esta disparidade levanta questões importantes sobre a produtividade e a segurança dos dados no ambiente empresarial nacional.
A Lacuna na Formação: Portugal no Fim da Tabela Europeia
Um dos dados mais preocupantes do estudo da Cegid e da OpinionWay refere-se à formação. Apenas 34% dos trabalhadores portugueses afirmam que a sua empresa já introduziu formação em ferramentas de IA. Este valor coloca Portugal na última posição entre os países analisados, ficando atrás de França (37%), Alemanha (43%) e Espanha (44%).
Comparando com os dados obtidos em 2025, o crescimento na oferta formativa em Portugal foi de apenas 2%. Este estancamento sugere que, embora a tecnologia esteja a ser distribuída, o investimento no capital humano não tem sido prioritário. No entanto, o estudo destaca uma oportunidade clara para os departamentos de Recursos Humanos, uma vez que o interesse dos colaboradores é extremamente elevado.
Adesão Massiva dos Trabalhadores à Formação
Quando as empresas decidem investir na capacitação, a resposta dos funcionários é quase unânime. Entre os profissionais portugueses que têm acesso a formação em IA:
- 86% já frequentaram pelo menos uma ação de formação (30% participaram em todas e 56% em algumas).
- 10% ainda não participaram, mas manifestam a intenção de o fazer brevemente.
- No total, 96% dos colaboradores com acesso a formação já a utilizaram ou pretendem utilizar.
Um dado curioso e relevante prende-se com a faixa etária. Entre os profissionais com mais de 50 anos, a abertura para a tecnologia é total: 100% já participaram ou revelam intenção de participar em formação sobre IA, desmistificando a ideia de que os trabalhadores mais seniores são resistentes à inovação digital.
A Liderança das Ferramentas Gratuitas e o Domínio do ChatGPT
O estudo da Cegid revela que Portugal é o país que mais disponibiliza soluções gratuitas de IA aos seus colaboradores (71%). Em contraste, é o país que menos investe em ferramentas premium, com apenas 32% das empresas a fornecerem versões pagas e completas. Em comparação, 49% das empresas em Espanha e 45% na Alemanha já oferecem acesso a soluções profissionais de IA.
No que toca às ferramentas específicas, o ecossistema português é dominado pelas seguintes plataformas:
- ChatGPT: 74% dos trabalhadores têm acesso.
- Gemini: 43% de taxa de acesso nas empresas.
- Copilot: 27% de disponibilização.
Além das ferramentas de uso geral, o estudo indica que 46% dos profissionais portugueses têm acesso a ferramentas de IA especificamente adaptadas à sua função profissional, um valor idêntico ao registado na Alemanha, mas inferior aos 61% registados em Espanha.
Perspetivas de Liderança e Gestão de Talento
Rita Cadillon, Diretora de Recursos Humanos da Cegid em Portugal & África, sublinha que a IA está a transformar não apenas o que as empresas utilizam, mas as competências necessárias para o mercado de trabalho. Para a responsável, o desafio dos Recursos Humanos é “garantir que os profissionais têm acesso à tecnologia, mas também o conhecimento e a confiança necessários para a utilizar de forma responsável e eficaz”.
Paulo Carvalho, General Manager da Cegid em Portugal & África, reforça que o foco deve agora passar para a utilização efetiva. “O desafio agora é transformar o acesso em utilização efetiva, com impacto concreto no dia a dia das organizações. Para isso, é essencial investir na formação e na capacitação das pessoas, disponibilizar ferramentas adequadas e integrar a IA nos processos de negócio”, afirma o executivo.
O investimento em ferramentas premium e na formação surge assim como o próximo passo lógico para as empresas portuguesas que desejam aumentar a produtividade e melhorar a qualidade das suas decisões estratégicas, saindo da fase de experimentação gratuita para uma integração profissional profunda.
Perguntas Frequentes
Qual é a ferramenta de IA mais utilizada nas empresas portuguesas?
De acordo com o estudo da Cegid, o ChatGPT é a ferramenta líder absoluta, com 74% dos trabalhadores de empresas que testam IA a terem acesso à plataforma.
Qual a percentagem de empresas em Portugal que oferece formação em IA?
Atualmente, apenas 34% das empresas portuguesas oferecem formação em Inteligência Artificial, o valor mais baixo entre os países analisados (Portugal, Espanha, França e Alemanha).
As ferramentas de IA premium são comuns em Portugal?
Não. Portugal tem a menor taxa de investimento em ferramentas premium (32%), preferindo soluções gratuitas com acesso limitado, que são disponibilizadas por 71% das organizações.
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