
A Kaspersky, através do seu Investigador Sénior de Segurança da Equipa de Investigação e Análise Global (GReAT), Georgy Kucherin, emitiu um comunicado detalhado sobre os recentes incidentes de cibersegurança que visaram as gigantes do setor das criptomoedas, Binance e Polymarket, ocorridos no final de outubro de 2024.
Os detalhes dos incidentes na Binance e na Polymarket segundo a Kaspersky
O final de outubro de 2024 revelou-se um período crítico para a segurança dos criptoativos a nível global. De acordo com as informações partilhadas pela Kaspersky, a Binance revelou no dia 30 de outubro ter sido vítima de um ataque informático. A investigação preliminar aponta para um cenário de vulnerabilidade interna: o computador portátil de um engenheiro de DevOps terá sido comprometido, o que permitiu que um atacante ganhasse acesso a um contentor de serviço. Através deste acesso, foram submetidas transações de levantamento não autorizadas.
Apesar da gravidade da situação, a Binance esclareceu que não foram encontrados indícios de fuga de chaves privadas das carteiras. Como medida de precaução imediata, a plataforma suspendeu os depósitos e levantamentos, comprometendo-se publicamente a cobrir as perdas financeiras sofridas pelos utilizadores afetados. Um dia antes, a 29 de outubro, foi a vez de a Polymarket ser atingida. Neste caso, o vetor foi externo, envolvendo um script de monitorização de utilizadores reais (RUM) da DebugBear, um fornecedor de serviços de terceiros, que estava incorporado no site oficial da plataforma.
Diferentes vetores de ataque: Do posto de trabalho ao fornecedor externo
Georgy Kucherin, da Kaspersky, sublinha que estes dois casos são exemplares pela diversidade dos vetores de ataque utilizados. Enquanto na Binance o problema teve origem num posto de trabalho interno, na Polymarket a falha proveio de uma dependência web externa. Esta distinção é fundamental para compreender a complexidade da defesa de infraestruturas modernas de negociação de criptomoedas.
O que é o RUM e como foi explorado na Polymarket?
O Real User Monitoring (RUM) é uma tecnologia utilizada para recolher dados sobre como os utilizadores interagem com um website, ajudando a otimizar o desempenho. No caso da Polymarket, ao comprometerem a DebugBear, os atacantes conseguiram injetar código malicioso diretamente nas sessões dos utilizadores. Isto demonstra que, para a Kaspersky, as plataformas não podem focar-se apenas na sua segurança interna, mas devem também auditar rigorosamente todos os componentes de terceiros que integram nos seus ecossistemas digitais.
O papel dos especialistas técnicos e o erro humano
Um dos pontos mais alarmantes destacados pela Kaspersky é o facto de os especialistas técnicos continuarem a ser os principais alvos de agentes maliciosos. Mesmo profissionais com elevada experiência, como engenheiros de DevOps e programadores, não estão imunes a táticas de engenharia social ou ao descarregamento inadvertido de software malicioso. A Kaspersky recorda que as superfícies de ataque são vastas e que o fator humano, especialmente em funções com privilégios de acesso elevados, é um elo crítico.
O caso da extensão maliciosa e o prejuízo de 500 mil dólares
Para ilustrar este perigo, a Kaspersky referiu um caso reportado anteriormente em que um programador do setor das criptomoedas descarregou uma extensão maliciosa para um ambiente de desenvolvimento (Cursor AI). Este simples erro resultou num roubo direto de 500 mil dólares das suas carteiras digitais. Este exemplo reforça o aviso de Georgy Kucherin: até os utilizadores mais avançados tecnicamente podem ser vítimas se não utilizarem soluções de segurança robustas nos seus dispositivos de trabalho.
O possível envolvimento do grupo APT Lazarus nos ataques
A dimensão do ataque à Binance é de tal ordem que a Kaspersky não exclui a possibilidade de estarmos perante a operação de grupos de Ameaças Persistentes Avançadas (APT). Algumas informações iniciais apontam para o envolvimento do grupo Lazarus, uma entidade conhecida pela sua vasta experiência em ataques com motivação financeira e operações dirigidas especificamente a criptomoedas.
- Histórico do Lazarus: Em 2016, o grupo foi acusado de atacar o banco central do Bangladesh, tentando roubar mil milhões de dólares.
- Atividade Recente: O grupo tem-se mantido ativo nesta década, sendo-lhe atribuído o ataque à Bybit em 2025, que resultou em perdas de 1,5 mil milhões de dólares.
- Investigação em curso: No que diz respeito à Binance e Polymarket, o envolvimento do Lazarus ainda está sob análise, aguardando-se a conclusão das investigações para confirmações definitivas.
Recomendações de segurança da Kaspersky para utilizadores e empresas
Face ao aumento da sofisticação destes ataques, a Kaspersky recomenda vivamente a adoção de medidas de proteção proativas. Os agentes maliciosos procuram ativamente dispositivos que não possuam soluções de segurança instaladas, uma vez que estes facilitam a exfiltração de dados e o acesso a credenciais sensíveis.
A Kaspersky aconselha tanto utilizadores individuais como empresas a instalarem soluções de segurança certificadas em todos os dispositivos, independentemente do nível de conhecimento técnico do utilizador. Como se viu nos casos da Binance e da Polymarket, a segurança depende tanto da proteção de endpoints internos como da monitorização constante de todas as dependências externas.
Perguntas Frequentes
O que aconteceu à Binance no final de outubro?
De acordo com a Kaspersky, a Binance foi alvo de um ataque informático no dia 30 de outubro, possivelmente originado pelo comprometimento do portátil de um engenheiro de DevOps, o que permitiu levantamentos não autorizados através de um contentor de serviço.
Como é que a Polymarket foi atacada?
A Polymarket foi afetada por um ataque através de um fornecedor externo, a DebugBear. Um script de monitorização (RUM) comprometido foi inserido no site da plataforma, afetando os utilizadores no dia 29 de outubro, conforme relatado pela Kaspersky.
Quem é o grupo Lazarus mencionado pela Kaspersky?
O Lazarus é um grupo APT conhecido por realizar ciberataques com motivações financeiras a larga escala. Segundo a Kaspersky, o grupo tem um historial de ataques a instituições bancárias e plataformas de criptomoedas, como a Bybit e o banco central do Bangladesh.
Comentários
Enviar um comentário