IA é o denominador comum nas ameaças à segurança da indústria do entretenimento em 2026

IA é o denominador comum nas ameaças à segurança da indústria do entretenimento em 2026
De acordo com o Boletim de Segurança da Kaspersky mais recente, a Inteligência Artificial (IA) deverá afetar a indústria global do entretenimento em 2026, desde a venda de bilhetes e pipelines de efeitos visuais até redes de distribuição de conteúdo, jogos e regulamentação.
A edição mais recente do Boletim de Segurança da Kaspersky identifica a Inteligência Artificial (IA) como um denominador comum nas ameaças à segurança da indústria global do entretenimento em 2026, desde a venda de bilhetes e pipelines de efeitos visuais até redes de distribuição de conteúdo, jogos e regulamentação.

A IA está a transformar a forma como as pessoas compram bilhetes, consomem filmes e interagem com jogos. Mas está também a redefinir a forma como os cibercriminosos exploram essas mesmas experiências. A indústria do entretenimento é particularmente vulnerável à IA, não só porque a tecnologia automatiza processos administrativos, mas sobretudo porque já cria, reproduz e imita o próprio produto central do setor – histórias, performances e experiências visuais profundamente centradas no ser humano.

Os investigadores da Kaspersky identificaram cinco ameaças críticas que surgem à medida que a IA se integra de forma cada vez mais profunda nos fluxos de trabalho da indústria do entretenimento e nas experiências dos consumidores.

A corrida entre algoritmos e especuladores nos mercados de bilhetes

A Kaspersky antecipa que a IA tornará os modelos de preços dinâmicos mais rápidos e granulares, enquanto dará aos especuladores ferramentas mais sofisticadas para identificar eventos lucrativos, implementar bots à escala e gerir os preços de revenda em múltiplas plataformas.

Mesmo quando os artistas optam por preços nominais fixos, os revendedores apoiados por IA conseguem recriar mecanismos de “preços dinâmicos” nos mercados secundários, ajustando os valores em tempo real com base em sinais de procura.

Efeitos visuais com IA e o aumento do risco de fugas

À medida que a CGI de alta qualidade se torna mais acessível através de plataformas de IA baseadas na cloud, os estúdios passam a ligar-se a redes mais alargadas de pequenos fornecedores e freelancers. A Kaspersky antecipa que os atacantes irão explorar esta cadeia de fornecimento expandida, comprometendo render farms, plug-ins ou pequenas empresas de pós-produção para roubar, de forma silenciosa, sequências, ativos ou episódios antes do lançamento, contornando os ambientes de estúdio mais fortemente protegidos.

Redes de distribuição de conteúdos podem tornar-se um alvo direto

Atualmente, as CDNs divulgam episódios inéditos, versões de jogos e transmissões em direto para muitas das principais marcas de entretenimento, concentrando conteúdos de elevado valor num número reduzido de fornecedores. Os atacantes munidos de IA avançada poderão mapear a infraestrutura das CDNs com maior eficácia, identificar onde reside o conteúdo premium e explorar credenciais fracas ou erros de configuração. Um único comprometimento bem-sucedido pode expor vários títulos em simultâneo ou permitir a injeção de código malicioso em transmissões legítimas.

Riscos e abusos de IA generativa em jogos e comunidades de fãs

Jogadores e utilizadores avançados continuarão a contornar as restrições em companheiros de IA e editores de conteúdo nos jogos, recorrendo a modelos generativos externos para criar material que normalmente seria bloqueado – como cenários hiperviolentos ou sexualizados – e reintroduzindo-o em jogos, modificações ou vídeos de fãs. Existe também o risco de dados pessoais surgirem nos resultados “criativos” no caso de os dados de treino ou de ajuste não serem devidamente filtrados, como, por exemplo, quando letras de músicas, diálogos ou imagens contêm inadvertidamente nomes reais ou outros elementos identificáveis.

A regulamentação e conformidade da IA no trabalho criativo

Legisladores e associações do setor estão a avançar com regras que exigem maior transparência sobre conteúdos gerados por Inteligência Artificial, bem como práticas mais claras de consentimento e licenciamento na utilização de material protegido por direitos de autor para treino de modelos. A Kaspersky antecipa que este enquadramento irá impulsionar a criação de novas funções nas empresas de entretenimento – semelhantes aos responsáveis pela conformidade com as regras da COVID nos sets de filmagem – centradas na governação da IA. Estas funções terão como missão verificar como as ferramentas de IA são treinadas, de que forma são utilizadas na produção e no marketing e se cumprem os requisitos legais e contratuais aplicáveis.

“À medida que analisámos diferentes áreas do setor, tornou-se evidente que a Inteligência Artificial é o fio condutor da maioria dos riscos emergentes. Ao aprofundar esta análise, quisemos mostrar que a IA não só permitirá aos defensores identificar anomalias com maior rapidez, como também dará aos atacantes novas capacidades para modelar mercados, sondar infraestruturas e gerar conteúdos maliciosos altamente convincentes. Estúdios, plataformas e detentores de direitos precisam de passar a encarar os sistemas de IA — e os dados que os alimentam — como parte integrante da sua principal superfície de ataque, e não apenas como ferramentas criativas, construindo modelos de segurança e governação ajustados a essa nova realidade”, afirma Anna Larkina, especialista em análise de conteúdos web da Kaspersky.

Pode ler sobre o panorama completo de cenários de IA na indústria do entretenimento na mais recente edição do Boletim de Segurança da Kaspersky.

A Kaspersky recomenda que as organizações do setor de entretenimento tomem as seguintes precauções:
  • Mapear a utilização da IA em plataformas de bilhetes, produção, distribuição e interação com fãs, incluindo esses sistemas na modelação de ameaças e avaliação de riscos.
  • Reforçar os requisitos de segurança e monitorização para fornecedores de efeitos visuais e pós-produção, especialmente aqueles que recorrem a ferramentas baseadas na cloud ou assistidas por IA.
  • Rever as arquiteturas de CDN e implementar deteção avançada de anomalias nos padrões de tráfego e acesso, incluindo atividades provenientes de fornecedores considerados confiáveis.
  • Efetuar auditorias de segurança e privacidade das implementações de IA generativa em jogos, marketing e serviços direcionados a fãs, estabelecendo regras claras sobre dados de treino, retenção e resultados permitidos.
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