Placas Gráficas a Preços de Carro Usado: Porque é que as RTX 5090 Continuam Esgotadas em Portugal

Placas Gráficas a Preços de Carro Usado: Porque é que as RTX 5090 Continuam Esgotadas em Portugal

Um lançamento marcado pela escassez

A nova geração de placas gráficas da Nvidia chegou ao mercado português com pompa, mas também com um problema bem familiar a quem acompanha o sector do hardware: stocks praticamente inexistentes e preços bem acima do MSRP sugerido. Em lojas como a PCDiga, Globaldata ou Worten Empresas, encontrar uma RTX 5090 disponível tornou-se um exercício de paciência, com listas de espera que se arrastam há semanas e modelos custom a ultrapassarem facilmente os 3.000 euros.

A tendência: GPUs deixaram de ser apenas para gaming

O que distingue esta vaga de escassez das anteriores não é a mineração de criptomoedas, mas sim a explosão da procura por capacidade de cálculo para inteligência artificial. Empresas, laboratórios e até criadores de conteúdo independentes estão a comprar GPUs de consumo para correr modelos LLM localmente, treinar pequenos modelos de difusão ou acelerar fluxos de trabalho em Blender e DaVinci Resolve. Os 32 GB de VRAM GDDR7 da RTX 5090 transformaram-na, na prática, numa placa de workstation a preço (relativamente) acessível, canibalizando o segmento profissional.

AMD e Intel aproveitam a brecha

A AMD respondeu com a série RDNA 4, posicionando a Radeon RX 9070 XT como a escolha racional para quem quer jogar em 1440p sem hipotecar a casa. Em Portugal, este modelo tem aparecido em stock com mais regularidade e a preços próximos do recomendado, o que está a fazer mexer agulhas nas recomendações dos integradores nacionais. Já a Intel, com as Arc Battlemage B580 e B570, conquistou o segmento de entrada graças a uma relação preço-desempenho difícil de bater abaixo dos 350 euros — algo impensável há dois anos.

O impacto no PC montado em Portugal

Os montadores portugueses estão a sentir esta reviravolta. Configurações pré-construídas que antes assentavam quase exclusivamente em GeForce passaram a incluir Radeon como opção principal, e algumas lojas começam mesmo a sugerir a Arc B580 como upgrade face a placas antigas como a GTX 1660. A pressão sobre os preços está, finalmente, a beneficiar o consumidor — desde que esteja disposto a fugir do topo de gama.

O que esperar nos próximos meses

Os rumores apontam para um refresh da linha RTX 50, com modelos Super a chegarem com mais VRAM para responder à pressão da AMD. Simultaneamente, espera-se que a Intel anuncie a sua arquitectura Celestial, prometendo finalmente competir no segmento médio-alto. Para quem está a planear um upgrade, a recomendação dos retalhistas portugueses é clara: a menos que precise mesmo da potência da RTX 5090 para trabalho com IA, vale a pena esperar ou olhar seriamente para as alternativas. A era em que Nvidia ditava sozinha o ritmo do mercado parece, lentamente, estar a chegar ao fim.

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