Matter 1.4.1: a nova funcionalidade que finalmente simplifica emparelhar dispositivos em casa

Matter 1.4.1: a nova funcionalidade que finalmente simplifica emparelhar dispositivos em casa

O fim do pesadelo de emparelhar dispositivos inteligentes

Se já tentaste montar uma casa inteligente com produtos de marcas diferentes, sabes o problema: cada lâmpada, sensor ou tomada exige a sua própria aplicação, códigos QR minúsculos e processos de emparelhamento que raramente correm à primeira. A nova versão do protocolo Matter, a 1.4.1, promete resolver precisamente isto com uma funcionalidade chamada Enhanced Multi-Admin e um sistema renovado de partilha de credenciais Wi-Fi entre dispositivos.

O que muda com o Enhanced Multi-Admin

Até agora, mesmo com Matter, adicionar um dispositivo a mais do que um ecossistema (por exemplo, Apple Casa e Google Home em simultâneo) obrigava a repetir todo o processo de emparelhamento em cada plataforma. Com a atualização mais recente da Connectivity Standards Alliance, o utilizador pode partilhar o controlo com outra plataforma diretamente a partir da aplicação onde o dispositivo já está registado, sem voltar a apontar o telemóvel para códigos QR escondidos por trás de móveis.

Na prática, emparelhas uma lâmpada Tapo ou uma tomada Aqara na app da Apple e, com dois toques, disponibilizas o mesmo dispositivo ao Google Home ou ao Amazon Alexa. O tempo médio de configuração cai de vários minutos para segundos.

Partilha de Wi-Fi entre dispositivos

Outra novidade prática é a possibilidade de um dispositivo Matter já ligado à rede partilhar as credenciais de Wi-Fi com o próximo dispositivo a ser configurado. Isto é particularmente útil para quem tem redes com nomes longos ou palavras-passe complexas, e elimina o passo de andar a introduzir dados manualmente em cada nova compra.

Como tirar partido já hoje

Para aproveitar estas melhorias, há três passos essenciais:

1. Atualiza o teu hub. Se usas um HomePod mini, Apple TV, Nest Hub, Echo Hub ou SmartThings Station, verifica se está a correr a firmware mais recente. As atualizações da controladora são feitas automaticamente, mas vale a pena confirmar nas definições.

2. Compra com o selo Matter 1.4 ou superior. Marcas como TP-Link Tapo, Aqara, Eve, Nanoleaf e Meross já têm gamas compatíveis à venda em Portugal, muitas delas na Worten, FNAC e PCDiga. Evita produtos antigos que só suportam Matter 1.0, pois não terão acesso a estas funcionalidades avançadas.

3. Escolhe um ecossistema principal. Mesmo com Multi-Admin, faz sentido ter uma aplicação como "casa base" onde crias rotinas e automatizações. Usa as outras plataformas apenas para controlo por voz ou acesso por parte de familiares que já estão habituados a outro sistema.

E o Thread? Também sai reforçado

A rede Thread, que muitos dispositivos Matter usam em vez de Wi-Fi, ganhou nesta versão melhor gestão de credenciais partilhadas entre routers de marcas diferentes. Isto significa que, se tiveres um HomePod mini e um Nest Hub Max em casa, os teus sensores de porta ou botões vão conseguir usar ambos como pontos de acesso à rede mesh, tornando a cobertura mais fiável em habitações maiores ou apartamentos com paredes espessas.

O panorama em Portugal

Os operadores nacionais ainda estão a acompanhar esta evolução com alguma lentidão, mas as caixas de router mais recentes da MEO e da NOS já suportam Thread ou têm bordas compatíveis previstas. Entretanto, o mercado de retalho está bem servido: um kit inicial com hub, três lâmpadas e dois sensores custa hoje menos de 150 euros, um valor bastante mais acessível do que há apenas dois verões.

Vale a pena começar agora?

Se andavas à espera do momento certo para experimentar uma casa inteligente sem ficar preso a uma única marca, esta é provavelmente a melhor altura. O Matter atingiu finalmente a maturidade que prometia desde o lançamento, e as novas funcionalidades tornam a experiência muito próxima do "plug and play" que sempre foi vendido em teoria mas raramente cumprido na prática.

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