Nova lei europeia obriga bancos em Portugal a verificar o nome do IBAN antes de cada transferência

O fim das transferências "às cegas" chega a Portugal
A partir de 9 de outubro, todos os bancos que operam em Portugal passam a ser obrigados a oferecer um novo serviço de verificação de beneficiário (VOP - Verification of Payee) em transferências SEPA. Trata-se de uma imposição do regulamento europeu dos Pagamentos Instantâneos e representa uma das mudanças mais significativas na segurança das transferências bancárias em décadas.
Na prática, quando um utilizador do Millennium BCP, Caixa Geral de Depósitos, Santander, Novo Banco ou qualquer outra instituição a operar em território nacional preencher um IBAN, o sistema verifica automaticamente se o nome do titular corresponde ao número da conta indicada. Se houver divergência, o cliente é avisado antes de confirmar o pagamento.
Porque é que isto importa para a tua segurança
O tipo de fraude mais comum em Portugal, segundo dados do Centro Nacional de Cibersegurança, é precisamente a burla do IBAN falso. O esquema é conhecido: os criminosos interceptam faturas por email, alteram o IBAN e a vítima transfere o dinheiro convencida de que está a pagar a um fornecedor legítimo. Empresas portuguesas já perderam milhões desta forma, e particulares foram enganados em compras online, arrendamentos e até em pagamentos ao fisco falsos.
Com o VOP, mesmo que um burlão consiga enviar-te um IBAN adulterado, a app do teu banco vai mostrar que o nome associado àquele IBAN não é o de quem devia receber o dinheiro. É uma barreira simples, mas potencialmente decisiva.
Como vai funcionar no ecrã do telemóvel
A experiência do utilizador é semelhante em todas as apps. Depois de introduzir o IBAN e o nome do beneficiário, aparece uma de três respostas: correspondência exata (verde), correspondência parcial (amarelo, útil para gralhas em nomes longos) ou sem correspondência (vermelho). O cliente pode sempre avançar mesmo com aviso vermelho, mas assume o risco.
O Banco de Portugal já sublinhou que a decisão final continua a ser do utilizador, ou seja, a responsabilidade não fica automaticamente do lado do banco caso alguém ignore o alerta. Ainda assim, os primeiros testes feitos por bancos como o BPI e o ActivoBank mostram que a maioria das pessoas cancela a operação quando surge o aviso.
E a privacidade dos meus dados?
Uma das preocupações levantadas por associações de defesa do consumidor prende-se com o facto de o nome do titular passar a ser exposto sempre que alguém introduzir um IBAN. A Comissão Europeia esclareceu que a verificação apenas devolve um resultado ("corresponde", "parcial" ou "não corresponde") e não o nome real associado à conta, evitando que a funcionalidade se transforme numa ferramenta de "pesquisa inversa" de identidade.
Ainda assim, especialistas em cibersegurança recomendam prudência: continua a valer a pena confirmar dados de pagamento por um canal alternativo, especialmente em transferências acima de alguns milhares de euros. O VOP é uma camada extra, não um substituto do bom senso.
O que muda no imediato para quem faz transferências instantâneas
Além do VOP, as transferências imediatas passam a ser obrigatoriamente oferecidas ao mesmo custo das transferências normais SEPA em todos os bancos da zona euro. Quem ainda paga comissões elevadas por transferências instantâneas em Portugal deve reparar em ajustes de preçário nas próximas semanas.
Para o consumidor comum, a soma destas duas novidades é clara: transferências mais rápidas, mais baratas e com uma camada adicional de proteção contra fraudes. É pouco frequente uma medida regulatória tocar em três frentes ao mesmo tempo, e vale a pena estar atento à comunicação que o teu banco vai enviar nos próximos dias.
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