Hiscox alerta: IA redefine risco cibernético com 92% das empresas portuguesas atacadas a sofrerem incidentes via Inteligência Artificial

Hiscox alerta: IA redefine risco cibernético com 92% das empresas portuguesas atacadas a sofrerem incidentes via Inteligência Artificial

O 10.º Relatório de Ciberpreparação da Hiscox revela que 92% das empresas portuguesas atacadas registaram incidentes ligados a novas vulnerabilidades de IA nos últimos 12 meses.

Hiscox analisa a evolução do risco cibernético na 10.ª edição do seu relatório

A Hiscox, seguradora internacional especializada, acaba de lançar a 10.ª edição do seu prestigiado Relatório de Ciberpreparação. Este estudo anual tornou-se um barómetro essencial para compreender como as Pequenas e Médias Empresas (PME) e as grandes organizações estão a lidar com a crescente sofisticação das ameaças digitais. O relatório deste ano foca-se intensamente em como a digitalização acelerada, potenciada pela facilidade de acesso a novas tecnologias, está a mudar o paradigma da segurança informática.

A Hiscox destaca que o recurso a ferramentas baseadas em inteligência artificial (IA) para realizar ciberataques já não é uma ameaça teórica, mas sim uma realidade consolidada que marca significativamente a atividade criminosa. Para as empresas portuguesas, este novo vetor de ataque representa um desafio sem precedentes, exigindo uma reavaliação completa das suas estratégias de defesa e de resiliência digital.

A ascensão meteórica das vulnerabilidades ligadas à IA em Portugal

Os dados recolhidos pela Hiscox para o mercado nacional são particularmente reveladores. Entre as empresas portuguesas que sofreram ciberataques no último ano, uma esmagadora maioria de 92% identificou incidentes associados a novas vulnerabilidades relacionadas com a Inteligência Artificial. Este número é alarmante quando comparado com os dados anteriores da Hiscox, representando praticamente o dobro dos 48% registados no relatório de 2025.

Mas o que significa, na prática, uma vulnerabilidade de IA? No contexto analisado pela Hiscox, estas falhas podem incluir:

  • A exploração de falhas em modelos de linguagem (LLMs) utilizados para atendimento ao cliente.
  • O uso de IA por parte dos atacantes para criar esquemas de phishing muito mais convincentes e personalizados.
  • A manipulação de algoritmos de aprendizagem automática que as próprias empresas utilizam nas suas operações diárias.
  • A exfiltração de dados sensíveis através de comandos maliciosos inseridos em ferramentas de IA generativa.

Ferramentas de IA como porta de entrada para ciberataques

O relatório da Hiscox vai mais longe ao identificar como é que os atacantes estão a conseguir penetrar nas redes corporativas. Segundo o estudo, 24% das empresas portuguesas identificaram uma ferramenta ou software de IA como um dos pontos de entrada (entry points) de ataques bem-sucedidos. Um ponto de entrada é, tecnicamente, o elo mais fraco ou a brecha de segurança que permite a um ator malicioso ganhar acesso inicial a um sistema ou rede.

Esta estatística sublinha que a adoção apressada de tecnologias de IA, muitas vezes sem as devidas auditorias de segurança ou configurações de proteção, está a criar novas fendas no perímetro de segurança das organizações. A Hiscox alerta para a necessidade de as equipas de TI e de cibersegurança implementarem controlos mais rigorosos sobre qualquer software que incorpore capacidades de automação ou inteligência artificial.

A ameaça das ferramentas de terceiros no horizonte de cinco anos

A visão das empresas portuguesas sobre o futuro próximo também é condicionada pela tecnologia. O estudo da Hiscox revela que 46% das organizações apontam as vulnerabilidades provenientes de ferramentas de IA de terceiros como uma das principais ameaças para os próximos cinco anos. Isto reflete uma preocupação crescente com a supply chain (cadeia de abastecimento) tecnológica.

Muitas empresas não desenvolvem a sua própria IA, mas integram serviços de parceiros externos. Se esse fornecedor terceiro tiver uma vulnerabilidade, todos os seus clientes podem ficar expostos. A Hiscox reforça que a confiança cega em software externo pode ser um erro crítico, recomendando que a avaliação de risco cibernético se estenda a todos os fornecedores de serviços na nuvem e de ferramentas de produtividade inteligente.

Conclusões da Hiscox sobre a ciberpreparação nacional

Com o lançamento desta 10.ª edição do Relatório de Ciberpreparação, a Hiscox deixa claro que o risco cibernético foi redefinido pela IA. A facilidade com que os cibercriminosos agora utilizam estas ferramentas para automatizar ataques e descobrir falhas de sistema exige que as empresas em Portugal acelerem a sua própria curva de aprendizagem tecnológica.

Para a Hiscox, ser "ciberpreparado" em 2026 e nos anos seguintes envolverá não apenas ter antivírus e firewalls atualizados, mas sim possuir uma cultura organizacional de vigilância constante sobre as ferramentas de inteligência artificial que são integradas no quotidiano de trabalho. A seguradora continua a monitorizar estas tendências para apoiar as PME na proteção dos seus ativos digitais e na continuidade dos seus negócios face a um cenário de ameaças em constante mutação.

Perguntas Frequentes

O que é o Relatório de Ciberpreparação da Hiscox?

É um estudo anual realizado pela Hiscox que analisa a maturidade e a prontidão das empresas face aos riscos cibernéticos, abrangendo vários mercados, incluindo Portugal, e focando-se em tendências como ataques de IA e ransomware.

Como é que a IA pode tornar uma empresa mais vulnerável?

A IA pode ser usada por atacantes para descobrir falhas de código mais rapidamente ou para criar mensagens fraudulentas perfeitas. Além disso, se uma empresa usa ferramentas de IA sem segurança adequada, estas podem ser manipuladas para revelar dados confidenciais ou dar acesso a redes internas.

Porque é que os incidentes ligados à IA duplicaram em Portugal?

Segundo a Hiscox, este aumento de 48% em 2025 para 92% reflete a rápida democratização das ferramentas de IA e a sua integração massiva nas empresas, o que aumentou a superfície de ataque disponível para os cibercriminosos explorarem.

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