Marktest revela que 77% dos utilizadores de redes sociais em Portugal já usam Inteligência Artificial

O novo estudo "Os Portugueses e as Redes Sociais 2026" da Marktest revela que três em cada quatro utilizadores de redes sociais em Portugal já utilizam ferramentas de IA.
Marktest analisa impacto da Inteligência Artificial no comportamento digital
Pela primeira vez em 16 edições, o prestigiado estudo "Os Portugueses e as Redes Sociais", produzido pela Marktest, dedicou uma análise profunda ao impacto da Inteligência Artificial (IA) no ecossistema das plataformas digitais em Portugal. Os resultados são esclarecedores: a adoção destas tecnologias já não é um nicho, mas sim uma realidade transversal, com 77% dos utilizadores de redes sociais a admitirem já ter utilizado ferramentas de IA generativa.
Este valor engloba uma vasta gama de ferramentas que se tornaram populares nos últimos anos, como o ChatGPT (da OpenAI), o Gemini (da Google) ou o Copilot (da Microsoft). A integração destas tecnologias no quotidiano dos portugueses reflete uma mudança de paradigma na forma como consumimos e produzimos informação digital.
O que é a Inteligência Artificial Generativa?
Para contextualizar os dados da Marktest, importa explicar que a IA generativa refere-se a modelos de inteligência artificial capazes de criar novos conteúdos, desde texto e imagens a áudio e vídeo, a partir de instruções fornecidas pelo utilizador (os chamados prompts). Ao contrário da IA tradicional, que apenas analisa dados existentes, a generativa sintetiza informação para produzir resultados originais, o que explica a sua rápida popularização em redes sociais como o Instagram, TikTok ou LinkedIn.
Frequência de uso e perfil do utilizador segundo a Marktest
De acordo com os dados detalhados pela Marktest, a utilização destas ferramentas não é apenas esporádica. Entre os inquiridos que utilizam redes sociais em Portugal:
- 38% utilizam ferramentas de IA de forma ocasional.
- Quase 40% afirmam utilizar este tipo de tecnologia de forma regular.
- 22.5% dos utilizadores frequentes já usaram a IA especificamente para criar conteúdos destinados a publicação nas redes sociais.
O estudo da Marktest identifica ainda clivagens demográficas claras na adoção desta tecnologia. A percentagem de utilização sobe significativamente junto dos segmentos mais jovens da população, bem como entre os residentes na Grande Lisboa e indivíduos pertencentes às classes sociais mais altas. Estes dados sugerem que o acesso precoce à tecnologia e a literacia digital são fatores determinantes na integração da IA no dia a dia.
A questão da transparência: 95% exigem identificação de conteúdos
Um dos pontos mais críticos revelados pela análise da Marktest prende-se com a transparência e a ética na utilização da IA. O estudo conclui que a esmagadora maioria dos portugueses — 95% dos inquiridos — considera fundamental que os conteúdos gerados por inteligência artificial estejam devidamente identificados como tal.
Esta exigência de rotulagem surge num contexto em que a exposição a estes conteúdos é cada vez maior. Mais de dois em cada três inquiridos que conhecem estas ferramentas acreditam que veem com frequência conteúdos gerados por IA nos seus feeds de redes sociais. No entanto, a capacidade de distinção ainda é limitada: apenas 41% dos utilizadores indicam que conseguem identificar com segurança quando um conteúdo não foi criado por um ser humano.
A perceção de credibilidade e o fator humano
A Marktest apurou que a origem do conteúdo afeta diretamente a confiança do utilizador. Cerca de 64.7% dos que conhecem estas ferramentas consideram que o facto de um conteúdo ter sido gerado por IA o torna automaticamente menos credível. Esta desconfiança não é, contudo, uniforme em todos os setores:
Os portugueses mostram-se mais recetivos à IA em contextos de humor, entretenimento e publicidade. Pelo contrário, existe uma forte resistência e menor aceitação de conteúdos gerados por IA quando se trata de política, jornalismo, declarações de figuras públicas ou avaliações de produtos (reviews), onde a autenticidade e a responsabilidade humana são consideradas insubstituíveis.
Metodologia do estudo "Os Portugueses e as Redes Sociais 2026"
Este estudo da Marktest é uma referência no mercado nacional desde 2011. A edição de 2026 baseou-se em 802 entrevistas online realizadas entre 6 e 21 de julho de 2025, junto de indivíduos entre os 15 e os 64 anos residentes em Portugal Continental. A amostra é representativa de um universo estimado pelo Bareme Internet da Marktest em mais de 5,7 milhões de indivíduos que utilizam redes sociais em Portugal.
Estes dados sublinham a importância de as marcas e criadores de conteúdos manterem uma postura ética e transparente, acompanhando a evolução tecnológica com o respeito pelas expectativas de veracidade dos utilizadores portugueses.
Perguntas Frequentes
Quantos portugueses utilizam Inteligência Artificial nas redes sociais?
De acordo com o estudo da Marktest, 77% dos portugueses que utilizam redes sociais já experimentaram ou utilizam ferramentas de IA generativa, como o ChatGPT ou o Gemini.
Os portugueses confiam nos conteúdos criados por IA?
Não totalmente. Cerca de 64.7% dos inquiridos pela Marktest consideram que o conteúdo gerado por IA é menos credível, especialmente em áreas como o jornalismo e a política.
É obrigatório identificar quando um post é feito por IA?
Embora a legislação esteja em evolução, 95% dos portugueses inquiridos pela Marktest defendem que é muito importante que todos os conteúdos gerados por IA estejam devidamente identificados nas redes sociais.
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