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75% das PME veem a ciberguerra como ameaça, mas ESET revela que o phishing continua a ser o maior risco real

75% das PME veem a ciberguerra como ameaça, mas ESET revela que o phishing continua a ser o maior risco real

Um novo estudo da ESET revela que 75% das PME consideram a ciberguerra uma ameaça real, embora o phishing e as vulnerabilidades por corrigir continuem a ser as causas principais de incidentes.

O desfasamento entre a perceção e a realidade segundo a ESET

A segurança digital das pequenas e médias empresas (PME) enfrenta hoje um cenário de complexidade sem precedentes. De acordo com o mais recente relatório ESET SMB Cyber Readiness Index 2026, a guerra cibernética, os conflitos geopolíticos globais e a rápida ascensão da inteligência artificial (IA) estão no topo das preocupações dos gestores. O estudo, divulgado em Lisboa a 29 de outubro de 2026, destaca que 75% das organizações inquiridas pela ESET concordam que a ciberguerra representa uma ameaça concreta com potencial impacto direto na continuidade do negócio.

Apesar deste clima de alerta em relação a ameaças de grande escala, existe uma discrepância notável entre a confiança das empresas e a sua resiliência efetiva. Enquanto 68% dos participantes no estudo da ESET afirmam confiar na capacidade das suas equipas para prevenir ataques, os dados mostram uma realidade mais frágil: 45% destas organizações sofreram pelo menos um incidente de cibersegurança nos últimos 12 meses. Este dado sugere que a confiança pode estar a ser construída sobre bases pouco sólidas, negligenciando riscos fundamentais.

Os perigos reais que afetam o quotidiano das empresas

Embora as notícias sobre ataques estatais ou conflitos globais dominem o imaginário coletivo, a ESET alerta que são as falhas básicas de higiene digital que continuam a abrir as portas aos criminosos. O estudo identifica as principais causas de incidentes reportadas pelas PME:

  • Phishing (26%): Continua a ser a técnica mais eficaz, utilizando engenharia social para enganar o utilizador e obter credenciais ou instalar malware.
  • Vulnerabilidades de software por corrigir (23%): A falta de manutenção e atualização de sistemas operativos e programas críticos (conhecida como patch management) continua a ser uma falha grave.
  • Falta de monitorização de segurança (22%): Muitas empresas não possuem ferramentas que detetem intrusões em tempo real, permitindo que os atacantes permaneçam na rede durante longos períodos.
  • Palavras-passe fracas (20%): A ausência de políticas de autenticação forte e o uso de passwords repetidas facilitam ataques de força bruta.

A visão da ESET sobre a postura de segurança das PME

Michal Jankech, Vice-Presidente para o mercado B2B da ESET, sublinha que qualquer melhoria significativa na postura de segurança deve começar por uma análise honesta da situação atual. “Verificámos que as preocupações das PME são muitas vezes moldadas pelas notícias sobre ameaças emergentes, como os ataques impulsionados por IA, enquanto riscos mais comuns, como o phishing, as vulnerabilidades por corrigir e a falta de monitorização, são subestimados”, afirma Jankech.

O responsável da ESET reforça ainda que esta perceção desajustada compromete a resiliência das organizações. Ao focarem-se excessivamente em cenários de ciberguerra cinematográficos, muitas empresas acabam por deixar de lado o investimento em formação de utilizadores e na atualização de sistemas, que são as defesas mais eficazes contra o cibercrime comum.

O impacto devastador dos ataques na atividade empresarial

Quando as defesas falham, as consequências para as PME são graves e multifacetadas. O relatório da ESET quantifica as principais preocupações das empresas quanto ao impacto de uma intrusão bem-sucedida. A perda de dados sensíveis é o maior receio, apontada por 50% dos inquiridos, seguida de perto pela interrupção operacional (40%), que pode paralisar totalmente a produção ou a prestação de serviços. As consequências financeiras diretas são uma preocupação para 37% das organizações.

Para além dos danos imediatos, as empresas enfrentam dificuldades constantes na gestão da tecnologia. O estudo da ESET indica que 34% das organizações consideram que acompanhar a evolução rápida das ameaças é o seu maior desafio. Paralelamente, 32% das PME destacam a dificuldade em manter o passo com as novas tecnologias, especificamente a inteligência artificial, que exige novos conhecimentos e infraestruturas mais robustas.

A dualidade da Inteligência Artificial no ecossistema da ESET

A inteligência artificial surge no estudo da ESET como uma faca de dois gumes. Por um lado, a sua adoção é galopante: 73% das PME já estão a integrar a IA nos seus fluxos de trabalho. Por outro lado, 70% admitem que esta tecnologia introduz novos riscos de segurança que ainda não sabem gerir totalmente. Para mitigar esta incerteza, 60% das organizações já afirmam ter implementado uma política formal de utilização de IA.

Contudo, a IA não é vista apenas como uma ameaça. As organizações inquiridas pela ESET pretendem utilizar esta tecnologia para fortalecer as suas defesas, focando-se na antecipação de ameaças e na aceleração da mitigação de ataques. A capacidade da IA para analisar grandes volumes de dados permite detetar padrões anómalos que escapariam a um operador humano, tornando a resposta a incidentes muito mais ágil.

Metodologia do ESET SMB Cyber Readiness Index 2026

Este estudo internacional da ESET foi conduzido com uma amostra representativa de 4.400 decisores e influenciadores na área da cibersegurança. As organizações inquiridas gerem parques informáticos entre 25 e 1.000 dispositivos, abrangendo 13 mercados-chave: Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha, Países Baixos, Suécia, Dinamarca, República Checa, Eslováquia e Japão.

Perguntas Frequentes

O que é o phishing e como afeta as empresas portuguesas?

O phishing é uma técnica de cibercrime onde os atacantes enviam mensagens fraudulentas (e-mail, SMS ou chat) fingindo ser entidades fidedignas para roubar dados ou instalar vírus. Segundo a ESET, é a causa número um de incidentes em PME, pois explora o erro humano, muitas vezes contornando barreiras tecnológicas através de técnicas de manipulação psicológica.

Porque é que as vulnerabilidades por corrigir são tão perigosas?

Software desatualizado contém falhas conhecidas que os piratas informáticos utilizam para entrar nos sistemas sem precisar de passwords. A ESET destaca que 23% dos incidentes nas PME ocorrem porque as empresas não aplicam as atualizações de segurança disponibilizadas pelos fabricantes (como a Microsoft, Adobe ou Apple) em tempo útil.

Como é que a inteligência artificial pode ajudar na cibersegurança de uma PME?

A IA pode monitorizar a rede 24 horas por dia, identificando comportamentos suspeitos que indiquem um ataque em curso. De acordo com o relatório da ESET, as empresas estão a usar a IA para prever ameaças e responder mais rapidamente a incidentes, o que reduz drasticamente o tempo em que o atacante consegue agir dentro do sistema da empresa.

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