Schneider Electric alerta: "A complacência é o maior risco energético da Europa"

Num momento em que os preços globais da energia ameaçam disparar 24% este ano — o maior aumento desde 2022 —, a Schneider Electric veio a público apelar à União Europeia para acelerar de forma urgente a eficiência energética e a eletrificação. Para a líder global em tecnologia energética, estas são as únicas respostas escaláveis, domésticas e resilientes à atual volatilidade do mercado.

O alerta é particularmente relevante para Portugal e restantes Estados-Membros, uma vez que os custos energéticos europeus são, em média, duas a quatro vezes superiores aos de outras grandes regiões do mundo.

Europa continua refém das importações

Os números falam por si: a UE depende de importações para satisfazer quase 60% das suas necessidades energéticas, o que representa um custo de cerca de 336,7 mil milhões de euros. Esta dependência estrutural deixa famílias, indústria e serviços públicos expostos à volatilidade dos mercados globais de combustíveis fósseis e a choques geopolíticos.

De acordo com a Schneider Electric, acelerar a eficiência e a eletrificação pode libertar pelo menos 250 mil milhões de euros por ano até 2040, reduzindo a procura energética, diminuindo a dependência dos combustíveis fósseis e reforçando a competitividade europeia.

Cinco medidas para travar a crise

A empresa apresenta cinco recomendações políticas concretas para a Comissão Europeia e os Estados-Membros.

1. Soluções de eficiência com retorno rápido

A Schneider Electric defende incentivos e apoios para empresas implementarem soluções comprovadas e de rápido retorno. Para edifícios, sugere empréstimos sem juros para expandir os sistemas de gestão energética conectados — uma medida que poderia reduzir o consumo total de energia da UE em 5 a 6%. No setor industrial, especialmente nas PME, sistemas de gestão energética podem conduzir a poupanças até 30%.

2. Aplicar a legislação existente

A implementação rigorosa da Diretiva de Eficiência Energética (EED) e da Diretiva de Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD) é essencial. Os sistemas de automação e controlo de edifícios (BACS) podem proporcionar uma poupança anual de 450 TWh, uma redução de 64 Mt de CO₂ e cortar 36 mil milhões de euros nas contas de energia.

3. Eletrificação acelerada

A Europa está estagnada há uma década nos 21% de eletrificação — dez pontos abaixo da China. A Schneider Electric propõe um milhão de novas instalações de bombas de calor por ano até 2030 (são 3 a 5 vezes mais eficientes do que as caldeiras a gás) e medidas específicas para eletrificar as frotas empresariais, dinamizando o mercado de veículos elétricos usados.

4. Tributação e financiamento ao serviço da transição

Entre as medidas propostas estão a redução do IVA e dos impostos especiais sobre a eletricidade — para aproximar os preços da eletricidade aos do gás —, a reorientação do Mecanismo de Recuperação e Resiliência e das receitas do CELE, e a limitação de subvenções aos preços do gás, que atrasam o investimento em energia limpa.

5. Autogeração, flexibilidade e redes inteligentes

A Schneider Electric defende a promoção de sistemas fotovoltaicos em telhados, armazenamento e controlos digitais, bem como a aceleração da instalação de contadores inteligentes — com prioridade para grandes edifícios comerciais, indústria e carregamento de veículos elétricos. Uma rede mais digitalizada e estruturas tarifárias que recompensem a redução dos picos de consumo são também essenciais.

"As soluções não mudaram"

"O apelo aos decisores políticos para que deem prioridade à eficiência energética e à eletrificação é tão relevante hoje como era há quatro anos. As soluções não mudaram. No entanto, nesse período, a Europa passou de uma crise energética para outra", afirmou Laurent Bataille, Executive Vice President da Europe Operations da Schneider Electric.

O responsável foi taxativo: "A complacência é o maior risco energético da Europa. Os planos para subsidiar os custos energéticos são meros paliativos e insuficientes a longo prazo. A Europa precisa de uma mudança estrutural que incentive a adoção de soluções de tecnologia limpa, para que empresas e famílias alterem de forma definitiva a forma como utilizam a energia."

A mensagem é clara: sem políticas que promovam um sistema energético construído na Europa, para a Europa, o continente continuará exposto à volatilidade dos preços e a perder competitividade face a regiões como a China ou os Estados Unidos.

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