Smart glasses ganham terreno enquanto o Vision Pro perde fôlego: a nova rota dos wearables

Smart glasses ganham terreno enquanto o Vision Pro perde fôlego: a nova rota dos wearables

O mercado afasta-se dos headsets pesados

O segmento de realidade aumentada e virtual está a passar por uma reconfiguração silenciosa, mas profunda. Os headsets imersivos, que durante anos foram apresentados como o futuro inevitável da computação espacial, estão a perder espaço para uma categoria mais leve, discreta e socialmente aceitável: os óculos inteligentes. A Meta tem liderado esta transição com os Ray-Ban Meta, cujas vendas ultrapassaram já os dois milhões de unidades, e prepara-se para lançar uma versão com ecrã integrado, conhecida internamente como Hypernova.

Apple recalibra a estratégia do Vision Pro

Relatos recentes de fontes ligadas à cadeia de fornecimento indicam que a Apple terá reduzido significativamente a produção do Vision Pro e estará a redirecionar esforços para um modelo mais barato e leve, possivelmente sem o ecrã EyeSight externo. O preço de 3.999 euros, o peso e o conforto limitado provaram ser barreiras difíceis de ultrapassar fora do nicho de entusiastas e programadores. A aposta agora passa por óculos com ligação ao iPhone, alinhando-se com a abordagem que a Meta e a Google estão a seguir.

Google e Samsung entram no jogo com Android XR

A Google revelou a plataforma Android XR em parceria com a Samsung e a Qualcomm, abrindo caminho para um ecossistema aberto de dispositivos vestíveis com IA generativa integrada. O primeiro headset desta aliança, o Project Moohan da Samsung, deverá chegar ao mercado nos próximos meses, com o Gemini como assistente nativo. A diferença face às tentativas anteriores está clara: o foco já não é substituir o telemóvel, mas complementá-lo com camadas contextuais de informação visual e auditiva.

Wearables de saúde puxam pelo crescimento

Fora dos óculos, os anéis inteligentes e as pulseiras de monitorização contínua estão a registar crescimentos de dois dígitos. A Oura mantém a liderança no segmento de anéis, mas a Samsung com o Galaxy Ring e novos entrantes como a RingConn estão a democratizar o preço. O ângulo interessante é a fusão entre wearables médicos e dispositivos de consumo: sensores de glicose sem agulhas, deteção de apneia do sono e medição contínua de pressão arterial estão a passar dos protótipos para produtos comerciais regulados.

A IA é o verdadeiro motor da categoria

Aquilo que distingue esta nova vaga de wearables das anteriores não é o hardware em si, mas o software. Modelos multimodais como o Gemini Nano e o Apple Intelligence permitem que um par de óculos perceba o que vê, traduza em tempo real, identifique objetos ou resuma uma conversa. Sem esta camada de IA local, os wearables seriam acessórios. Com ela, tornam-se interfaces. É por isso que analistas da IDC e da Counterpoint preveem que o segmento de smart glasses ultrapasse os headsets VR em volume de unidades vendidas dentro de dois anos.

O que esperar do mercado português

Em Portugal, a adoção de wearables continua dominada por smartwatches e auriculares com cancelamento de ruído, mas a chegada dos Ray-Ban Meta aos canais oficiais europeus e o crescente interesse por anéis inteligentes mostram que o consumidor nacional está atento. A questão deixou de ser se a computação vestível vai vingar, mas qual o formato que vai prevalecer. Tudo aponta para que sejam os dispositivos discretos, conectados ao smartphone e potenciados por IA, a ganhar a corrida.

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