Solfarcos celebra 10 anos: a biotecnológica de Braga que conquista o mundo com ciência portuguesa
A Solfarcos, empresa biotecnológica nascida em Braga como spin-off da Universidade do Minho, assinala uma década de existência com um percurso que prova que a ciência feita em Portugal pode chegar aos mercados internacionais e gerar impacto global. Fundada em 2016 por Artur Cavaco Paulo e Eugénia Nogueira, a empresa está hoje na vanguarda de duas áreas estratégicas: a cosmética avançada e a farmacêutica de precisão.
A sessão pública de aniversário, realizada a 29 de junho, contou com a presença do Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, do presidente da Câmara de Braga, João Rodrigues, e do Pró-Reitor para a Inovação, Empreendedorismo e Transferência de Conhecimento da Universidade do Minho, Raul Fangueiro.
Crescimento acelerado e equipa altamente qualificada
Os números falam por si: depois de um crescimento de cerca de 70% em 2025 face ao ano anterior, a Solfarcos espera duplicar o volume de negócios entre 2024 e 2026. A empresa conta atualmente com cerca de 30 profissionais altamente qualificados e os seus fundadores somam, em conjunto, 39 patentes registadas — um indicador claro do peso da propriedade intelectual no modelo de negócio.
“Hoje, celebramos uma empresa e também a ideia de que a ciência feita em Portugal, quando é exigente, persistente e próxima dos problemas reais, pode criar valor, gerar tecnologia, criar emprego qualificado e competir internacionalmente”, sublinha Artur Cavaco Paulo, cofundador e CEO da Solfarcos.
K18: o caso de sucesso que chegou à Unilever
Na área da cosmética, a Solfarcos é um caso raro de transferência de conhecimento com impacto verdadeiramente global. A tecnologia K18PEPTIDE™, desenvolvida em Braga, está na base dos produtos da marca K18, hoje integrada no Grupo Prestige da Unilever. Este percurso afirma a empresa como pioneira no conceito de biotech beauty, alargando a aplicação das suas tecnologias a soluções inovadoras como o controlo de odor em champôs secos e a proteção térmica do cabelo.
Uma nova esperança no tratamento da artrite reumatoide
Na área farmacêutica, o projeto mais avançado é o FBL-MTX, um medicamento investigacional que consiste numa formulação de metotrexato lipossomal direcionada pelo folato para o tratamento da artrite reumatoide. Atualmente em ensaio clínico de Fase 2a em Portugal, esta tecnologia é o resultado de 17 anos de investigação e de cerca de 13 milhões de euros de investimento, suportada por duas patentes.
O objetivo é ambicioso: melhorar a tolerabilidade, reduzir a frequência de administração e prolongar o benefício de uma terapêutica já validada clinicamente, com potencial para impactar milhões de doentes em todo o mundo.
Inteligência artificial ao serviço da descoberta científica
A Solfarcos recorre a inteligência artificial, estudos computacionais, molecular docking e simulações de dinâmica molecular para identificar e otimizar péptidos funcionais. Esta abordagem permite acelerar a descoberta de novas soluções, reduzir a dependência de processos exclusivamente experimentais e reforçar a capacidade de desenvolver ingredientes e formulações de elevado desempenho.
Os próximos dez anos
Para a próxima década, a empresa quer consolidar a presença na cosmética e bem-estar, avançar na área farmacêutica, desenvolver novas parcerias estratégicas e reforçar a sua plataforma de conhecimento e propriedade intelectual. Mantendo a ligação à Universidade do Minho e à cidade de Braga, a Solfarcos perspetiva evoluir para um grupo com uma base central de I&D e unidades ou parcerias capazes de levar as suas tecnologias a novos mercados e aplicações.
Num momento em que se discute a capacidade de Portugal reter talento científico e criar valor a partir do conhecimento, a Solfarcos demonstra que é possível transformar investigação académica em produtos de referência mundial — sem sair de Braga.
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