Tarifas de carregamento elétrico em Portugal: o que muda com a nova rede da Galp Electric

Tarifas de carregamento elétrico em Portugal: o que muda com a nova rede da Galp Electric

Galp acelera a expansão da rede ultrarrápida em Portugal

A Galp deu mais um passo significativo na sua aposta pela mobilidade elétrica em Portugal com o reforço da rede Galp Electric, que pretende cobrir os principais eixos rodoviários do país com carregadores ultrarrápidos de 300 kW e 400 kW. A novidade afeta diretamente milhares de condutores nacionais que dependem da rede pública para viagens de média e longa distância, sobretudo nas autoestradas A1, A2 e A22, onde o tempo médio de carregamento passa a ser inferior a 20 minutos para a maioria dos veículos compatíveis.

Novos preços e o impacto no bolso dos condutores

Com a entrada de mais operadores no mercado português — entre eles a Iberdrola, a Repsol e a EDP Comercial — a Galp ajustou a sua tabela de preços para se manter competitiva. Os utilizadores que aderirem ao plano de subscrição mensal beneficiam de tarifas mais reduzidas por kWh nos postos ultrarrápidos, enquanto o carregamento ocasional sem subscrição continua a ser dos mais caros do mercado nacional. Esta diferenciação tem gerado debate entre os condutores de elétricos, que reclamam por maior transparência nos preços apresentados em tempo real nas aplicações de mobilidade.

MOBI.E continua a ser peça central

Apesar da expansão das redes privadas, a MOBI.E mantém o papel de plataforma de interoperabilidade em Portugal, o que significa que um utilizador com cartão de um Comercializador de Eletricidade para a Mobilidade (CEME) pode continuar a carregar em qualquer posto da rede pública. No entanto, as novas tarifas dinâmicas — que variam consoante a hora do dia e a ocupação dos postos — começam a aproximar o modelo português ao que já se pratica em Espanha e em França, onde carregar a meio do dia pode custar o dobro de carregar durante a noite.

Carros elétricos chineses entram em força

A novidade na rede de carregamento surge precisamente quando marcas como a BYD, a Xpeng e a Leapmotor reforçam a presença em Portugal com modelos a preços mais acessíveis. A BYD Dolphin Surf e o novo Leapmotor T03, ambos abaixo dos 20.000 euros, têm despertado o interesse de quem procura um primeiro carro elétrico urbano. A compatibilidade destes modelos com carregamento rápido em corrente contínua é, contudo, mais limitada, o que coloca em destaque a importância de uma rede de carregadores AC bem distribuída pelas cidades.

Incentivos do Fundo Ambiental ainda disponíveis

Para os condutores portugueses que pondam dar o salto para a mobilidade elétrica, o Fundo Ambiental mantém em vigor o apoio à aquisição de veículos ligeiros de passageiros 100% elétricos, com um valor que pode chegar aos 4.000 euros para particulares. As verbas, porém, esgotam-se rapidamente após a abertura das candidaturas, pelo que os interessados devem estar atentos ao portal oficial. Em paralelo, condomínios e empresas têm acesso a apoios específicos para a instalação de pontos de carregamento privados, uma medida que pretende combater um dos principais entraves à massificação do elétrico em Portugal: a dificuldade em carregar em casa para quem vive em apartamento.

O que esperar nos próximos meses

Os próximos meses deverão trazer mais novidades no que toca a hubs de carregamento de alta potência, com a Galp e a Prio a anunciarem novas instalações em centros comerciais e áreas de serviço. A pressão competitiva poderá traduzir-se em preços mais equilibrados para o utilizador final, embora os especialistas alertem que a verdadeira mudança só virá quando a rede atingir uma densidade equiparável à dos postos de combustível tradicionais. Por agora, planear viagens longas em elétrico em Portugal continua a exigir alguma preparação, mas a margem de manobra está, finalmente, a aumentar.

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