Telescópio Euclid revela primeiro atlas cósmico: como explorar gratuitamente o mapa do universo escuro

O atlas cósmico que está a mudar a astronomia
A Agência Espacial Europeia (ESA) acaba de disponibilizar a primeira grande secção do atlas cósmico construído pelo telescópio Euclid, e a notícia tem feito correr tinta nos círculos científicos europeus. Trata-se de uma imagem em mosaico que cobre 132 graus quadrados do céu austral, equivalente a mais de 500 vezes a área da Lua cheia, com um nível de detalhe inédito. Esta é apenas uma fração de 1% do levantamento total previsto, mas já contém cerca de 14 milhões de galáxias e dezenas de milhões de estrelas da nossa Via Láctea.
A funcionalidade nova: navegação interativa por zoom infinito
A grande novidade é a ferramenta de navegação pública que a ESA lançou no portal ESASky e no site oficial da missão Euclid. Qualquer pessoa, sem conhecimentos técnicos, pode agora explorar o mosaico através de um sistema de zoom progressivo semelhante ao Google Maps, mas aplicado ao universo profundo. Em poucos cliques é possível passar de uma vista geral de uma constelação até ao núcleo brilhante de uma galáxia individual a milhões de anos-luz de distância.
A funcionalidade permite ainda alternar entre diferentes filtros ópticos e infravermelhos, sobrepor catálogos científicos e partilhar a vista exacta com um link directo. Os professores portugueses já começaram a usar a ferramenta em sala de aula, uma vez que dispensa software especializado e funciona em qualquer navegador moderno, incluindo no telemóvel.
Como tirar partido da ferramenta passo a passo
Para começar, basta aceder ao ESASky a partir do browser e procurar o separador dedicado ao Euclid Q1. A partir daí, recomenda-se ativar a camada de catálogo de galáxias para que, ao passar o rato sobre objectos, apareçam dados como o desvio para o vermelho estimado, a magnitude e a classificação morfológica. Quem tiver interesse em astrofotografia computacional pode descarregar os ficheiros FITS originais e processá-los em aplicações gratuitas como o SAOImage DS9 ou o Aladin Lite.
Outra utilização prática é a caça a lentes gravitacionais. O Euclid foi desenhado precisamente para detectar estas distorções subtis causadas pela matéria escura, e a ESA tem incentivado a ciência cidadã através do projecto Space Warps, onde voluntários ajudam a identificar candidatas. Em poucos minutos de exploração, um utilizador atento pode contribuir para descobertas reais.
O que isto significa para a ciência feita em Portugal
Investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, com presença no Porto e em Lisboa, fazem parte do consórcio Euclid e têm acesso prioritário aos dados brutos. A abertura pública desta primeira fatia do atlas significa que estudantes universitários portugueses podem agora desenvolver projectos de mestrado com material de ponta sem depender de tempo de telescópio. Várias universidades estão a preparar workshops práticos para o próximo semestre lectivo.
Energia escura: a peça que falta no puzzle
O objectivo último do Euclid é cartografar a distribuição da matéria escura e perceber como a energia escura tem acelerado a expansão do universo. Medindo a forma e a posição de milhares de milhões de galáxias ao longo de seis anos, a missão vai construir o mapa tridimensional mais preciso alguma vez feito. A funcionalidade interactiva agora disponível é apenas o aperitivo de uma maratona científica que promete pôr Portugal no centro de uma das maiores questões em aberto da física moderna.
Dica final para entusiastas
Se quer aproveitar ao máximo, subscreva o feed RSS do consórcio Euclid e active notificações na app ESASky. As próximas libertações de dados estão calendarizadas e cada uma multiplicará a área coberta. Reserve umas horas para explorar com calma, idealmente num ecrã grande, e prepare-se para descobrir objectos que ainda nenhum humano observou em detalhe.
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