Aqara FP2 vs Aeotec TriSensor: qual é o melhor sensor de presença para uma casa inteligente em Portugal

Aqara FP2 vs Aeotec TriSensor: qual é o melhor sensor de presença para uma casa inteligente em Portugal

Dois sensores, duas filosofias para a casa inteligente

Os sensores de presença deixaram de ser um acessório e passaram a ser o cérebro silencioso de qualquer casa verdadeiramente automatizada. Em Portugal, dois modelos têm ganho destaque entre entusiastas de domótica: o Aqara FP2, baseado em radar mmWave, e o Aeotec TriSensor, um clássico Z-Wave com PIR. À primeira vista parecem produtos semelhantes, mas na prática representam formas quase opostas de pensar automação doméstica.

Aqara FP2: quando o radar substitui o movimento

O FP2 usa tecnologia mmWave de 60 GHz, a mesma que encontramos em radares de curto alcance de automóveis. Em vez de detetar apenas movimento, deteta presença real — ou seja, sabe que estás sentado no sofá a ver televisão mesmo que não mexas um dedo. Suporta ainda até cinco zonas configuráveis via app, o que permite, por exemplo, acender uma candeeiro só quando alguém se aproxima da secretária.

Integra-se nativamente com Apple HomeKit, Google Home, Alexa e, mais recentemente, com Matter via hub Aqara. O ponto fraco continua a ser o preço, na ordem dos 80 a 90 euros, e a dependência de Wi-Fi 2,4 GHz, o que pode saturar redes domésticas mais frágeis.

Aeotec TriSensor: o veterano prático do Z-Wave

O TriSensor aposta na fiabilidade em vez da inovação. Combina PIR (movimento), temperatura e luminosidade num pacote alimentado a pilhas CR123A com autonomia declarada de dois anos. Comunica em Z-Wave Plus, protocolo que não interfere com o Wi-Fi e que costuma ser mais estável em casas com paredes espessas — algo comum nos apartamentos portugueses mais antigos.

O TriSensor custa cerca de 45 euros, quase metade do FP2, mas exige um hub compatível com Z-Wave, como o Home Assistant Yellow, o Hubitat ou o SmartThings. Não deteta presença estática: se ficares imóvel, as luzes vão apagar-se.

Consumo, instalação e integração em Portugal

Do ponto de vista prático, o FP2 requer tomada elétrica permanente (USB-C, 5V), o que limita a colocação. O TriSensor, por ser a pilhas, coloca-se em qualquer canto — vantagem clara em casas alugadas onde furar paredes não é opção. Em termos de integração local, ambos funcionam bem com Home Assistant, mas o TriSensor tem a vantagem de não depender da nuvem Aqara, algo relevante para quem valoriza privacidade.

Qual escolher?

Se procuras automações avançadas em divisões onde as pessoas passam muito tempo paradas — sala, escritório, quarto — o Aqara FP2 é imbatível. A deteção de presença estática elimina o eterno problema das luzes que se apagam a meio de um filme. Já se precisas de cobrir corredores, casas de banho, garagens ou zonas de passagem, o Aeotec TriSensor oferece melhor relação qualidade-preço e uma instalação sem cabos.

Numa configuração ideal, muitos utilizadores portugueses estão a combinar os dois: FP2 nas zonas de estar e TriSensor no resto da casa. É a prova de que, em domótica, raramente existe um vencedor absoluto — existe apenas o sensor certo para cada divisão.

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