Carregar um carro elétrico em Portugal: guia prático para não perder tempo (nem dinheiro) na Via Verde Electric e MOBI.E

Carregar um carro elétrico em Portugal: guia prático para não perder tempo (nem dinheiro) na Via Verde Electric e MOBI.E

Porque é que carregar um EV em Portugal ainda confunde tanta gente

O mercado dos carros elétricos em Portugal está a crescer a bom ritmo, com modelos como o Tesla Model Y, o Renault 5 E-Tech, o Citroën ë-C3 ou o novo Kia EV3 a atrair condutores que até aqui hesitavam. Mas quem dá o salto depara-se rapidamente com a mesma dúvida: como funciona, afinal, o carregamento público em Portugal? Entre a rede MOBI.E, os vários CEME (comercializadores de eletricidade para a mobilidade elétrica) e apps como Miio, Galp Electric, Repsol Move ou Via Verde Electric, é fácil pagar a mais por pura falta de informação.

A rede MOBI.E explicada em linguagem simples

Ao contrário de outros países, Portugal tem um modelo único: todos os postos públicos estão ligados à rede MOBI.E, gerida pelo Estado. O que muda de app para app não é o posto em si, mas sim o preço da energia e a taxa de ativação cobrada pelo CEME que escolheres. Ou seja, o mesmo carregador rápido pode custar-te valores muito diferentes consoante o cartão ou aplicação que utilizes.

Na prática, precisas de duas coisas: um contrato com um CEME (basta descarregar a app e registar-te) e, idealmente, comparar preços antes de ligar o cabo. Sites como o Electromaps ou o próprio simulador da MOBI.E ajudam a perceber onde é mais barato carregar num determinado posto.

Carregamento lento, rápido e ultrarrápido: quando usar cada um

O carregamento em corrente alternada (AC), normalmente até 22 kW, é o mais barato por kWh e ideal para longas paragens — trabalho, centros comerciais, casa. Para viagens, o que interessa é o carregamento em corrente contínua (DC): a partir de 50 kW é considerado rápido, e acima de 150 kW já falamos de ultrarrápido, com postos de 300 kW ou mais em autoestradas nas redes Ionity, Tesla Supercharger (aberto a outras marcas) e Galp Electric.

Dica prática: a maioria dos EVs modernos só atinge a potência máxima entre os 10% e os 60% de bateria. Carregar dos 60% aos 100% num ultrarrápido é dinheiro deitado fora — sai muito mais barato parar duas vezes até aos 70% do que uma única vez até encher.

Quanto custa realmente encher a bateria

Em casa, com um tarifário bi-horário ou tri-horário e carregamento nas horas de vazio, é possível carregar por 0,10 a 0,15 €/kWh. Num posto público AC ronda os 0,30 a 0,45 €/kWh, e num ultrarrápido pode facilmente ultrapassar os 0,55 €/kWh, especialmente na Ionity sem subscrição. Traduzido: uma viagem Lisboa-Porto num EV com 60 kWh úteis pode custar entre 8 € (carregando em casa antes) e mais de 25 € (se dependeres só de ultrarrápidos em autoestrada).

Cinco passos para poupar já no próximo carregamento

1. Instala pelo menos duas apps de CEME diferentes — os preços variam bastante entre elas para o mesmo posto.

2. Ativa notificações de fim de carregamento; muitos operadores cobram taxa de ocupação se deixares o carro ligado depois de completo.

3. Planeia rotas com o Google Maps ou A Better Route Planner, que já integram estado dos postos em tempo real.

4. Sempre que possível, carrega em casa durante a noite com tarifário bi-horário — é aqui que está a verdadeira poupança do elétrico.

5. Verifica se o teu carro suporta Plug & Charge ou autenticação por cartão RFID; é mais fiável do que depender só da app, sobretudo em zonas com má cobertura.

O que aí vem: mais potência e melhores preços

A rede portuguesa está a expandir-se rapidamente, com novos hubs ultrarrápidos em construção nas principais autoestradas e no interior. A entrada de operadores como a Iberdrola e o reforço da Tesla ao abrir os Superchargers a outras marcas está a pressionar os preços para baixo. Para quem hesita em comprar um EV por causa da autonomia ou dos carregamentos, a realidade é que a rede já é suficiente para viagens longas — desde que se planeie minimamente.

O elétrico deixou de ser uma aposta para primeiros adotantes. Com um pouco de literacia sobre o sistema MOBI.E e escolhas inteligentes de carregamento, é perfeitamente possível conduzir um EV em Portugal gastando menos de metade do que gastarias com um carro a combustão equivalente.

Google News

Siga o NetThings no Google News

Fique a par de todas as novidades tecnológicas em tempo real.

⭐ SEGUIR NO GOOGLE NEWS

Acompanhe-nos também em:

-->