Imobiliário em Portugal: casas em Cascais chegam a 1,3 milhões e rendas em Alcácer do Sal disparam para 2.000 euros

Imobiliário em Portugal: casas em Cascais chegam a 1,3 milhões e rendas em Alcácer do Sal disparam para 2.000 euros

O mercado imobiliário português está cada vez mais desigual e fragmentado. Segundo o mais recente Barómetro dos Concelhos do Imovirtual, a diferença entre o concelho mais caro e o mais acessível para comprar casa em Portugal ultrapassa já os 1,25 milhões de euros. Em Cascais, o preço médio de uma habitação atinge os 1,3 milhões de euros, enquanto em Vila Velha de Ródão fica-se pelos 49 mil euros — uma diferença impressionante de 26,5 vezes.

No arrendamento, o cenário é semelhante. Cascais volta a liderar, com uma renda média de 2.500 euros mensais, enquanto Elvas apresenta o valor mais baixo do país, com apenas 425 euros. Uma diferença de quase seis vezes entre os dois extremos do mercado.

Cascais lidera compra, Castro Marim é o mercado mais dinâmico

No segmento da compra, Cascais mantém o primeiro lugar entre os concelhos mais caros, seguido de Grândola (1,1 milhões de euros) e da Calheta, na Madeira (920 mil euros). Logo depois surge Castro Marim, com um preço médio de 860 mil euros, destacando-se como o mercado mais dinâmico do país: registou a maior valorização mensal (+11,7%) e uma subida anual de 22,9%, afirmando-se como uma das apostas mais fortes do Algarve.

O Top 10 dos mercados mais caros inclui ainda Loulé (779 mil euros, +16,2%), Oeiras (750 mil euros, +1,4%), São Brás de Alportel (750 mil euros, +11,1%), Lisboa (720 mil euros, sem variação), Faro (675 mil euros, +16,4%) e Sines (670 mil euros, +0,8%).

Interior mantém-se acessível — mas já valoriza fortemente

No extremo oposto, Vila Velha de Ródão continua a ser o concelho mais barato para comprar casa (49 mil euros), seguido de Pampilhosa da Serra (56.250 euros), Vinhais (57 mil euros) e Proença-a-Nova (67.500 euros). Entre os mercados mais acessíveis destacam-se ainda Castelo Branco (83 mil euros, +18,6%), Guarda (155 mil euros), Bragança (160 mil euros), Portalegre (171 mil euros, +32,6%), Beja (210 mil euros, +26,3%) e Elvas (248.500 euros).

Apesar de continuarem entre os mais baratos, muitos destes concelhos registam algumas das maiores valorizações anuais do país, o que demonstra que o crescimento do mercado já não se limita ao litoral.

Alcácer do Sal surpreende com subida de 122% no arrendamento

No arrendamento, Cascais lidera com 2.500 euros por mês, mas a grande surpresa vem de Alcácer do Sal, que atinge os 2.000 euros após uma subida anual de 122,2% — a mais elevada de todo o país. Segue-se Sines (1.875 euros), Lisboa (1.850 euros), Faro e Lagos (ambos com 1.800 euros), Oeiras (1.700 euros), Montijo (1.650 euros), Loulé (1.630 euros) e Funchal (1.600 euros).

Entre os concelhos mais acessíveis para arrendar, Elvas apresenta a renda média mais baixa (425 euros), seguida da Guarda (500 euros), Pombal (625 euros), Bragança (650 euros) e Castelo Branco (675 euros). O ranking inclui ainda Coimbra e Viseu (750 euros), Vila Real (763 euros), Beja (790 euros) e Figueira da Foz (815 euros).

Pressão nas rendas alastra a todo o território

Mesmo entre os mercados mais baratos, as valorizações são expressivas: Bragança sobe 14%, Castelo Branco 12,5%, Vila Real 10,5%, Beja 17% e Figueira da Foz 8,7%. Sinal claro de que a pressão sobre o arrendamento já se estende a praticamente todo o país.

“Portugal tem hoje um mercado imobiliário muito mais fragmentado do que há alguns anos. Continuamos a assistir a uma forte pressão nos mercados premium, mas vemos também vários territórios a ganhar protagonismo e a valorizar de forma consistente. Esta realidade demonstra que a procura já não se concentra apenas nos grandes centros urbanos”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.

O mês de junho confirma assim uma tendência clara: enquanto o litoral e os destinos turísticos concentram os preços mais elevados, vários concelhos do interior combinam preços acessíveis com valorizações significativas, dando forma a um mercado imobiliário cada vez mais diverso e descentralizado.

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