Passkeys da Proton: gestor de palavras-passe abre a alternativa sem passwords a todos os utilizadores

Passkeys da Proton: gestor de palavras-passe abre a alternativa sem passwords a todos os utilizadores

A Proton alarga o suporte a Passkeys e desafia o modelo tradicional de autenticação

A Proton, empresa suíça conhecida pelo Proton Mail e pela sua abordagem centrada na privacidade, avançou recentemente com uma expansão significativa do suporte a passkeys no seu gestor Proton Pass. A novidade estende-se a todos os utilizadores, incluindo contas gratuitas, e chega numa altura em que gigantes como a Apple, Google e Microsoft aceleram a transição para um mundo sem palavras-passe tradicionais.

O detalhe que distingue a Proton é a promessa de sincronização das passkeys entre dispositivos com encriptação ponto-a-ponto, algo que ainda não é regra entre os concorrentes. Para o utilizador português preocupado com privacidade, isto significa que nem a própria Proton consegue ler as chaves guardadas.

O que são passkeys e porque estão a substituir as passwords

Uma passkey é um par de chaves criptográficas: uma pública, guardada no serviço onde te autenticas, e uma privada, que fica no teu dispositivo ou cofre encriptado. Ao iniciares sessão, o desbloqueio faz-se por biometria (impressão digital, reconhecimento facial) ou pelo PIN do sistema, sem nunca enviar segredos pela rede.

Na prática, elimina três dores de cabeça clássicas: phishing, reutilização de palavras-passe e fugas em bases de dados. Mesmo que um site seja comprometido, a chave privada nunca sai do teu dispositivo.

O que muda com o novo Proton Pass

Com esta atualização, o Proton Pass passa a permitir criar, guardar e utilizar passkeys em qualquer plataforma suportada — Windows, macOS, Linux, Android, iOS e principais browsers através de extensão. A empresa reforça que:

• As passkeys ficam sincronizadas entre todos os dispositivos com a mesma conta Proton.
• A infraestrutura está alojada na Suíça, sob jurisdição de leis rigorosas de proteção de dados.
• O código do Proton Pass é open source e auditado externamente, permitindo verificar as garantias criptográficas.

Um sinal claro de mudança no mercado

A jogada da Proton acontece pouco depois de a WhatsApp, o X, a Amazon e vários bancos europeus terem introduzido suporte nativo a passkeys. Segundo dados da FIDO Alliance, mais de sete mil milhões de contas online já podem hoje ser protegidas por este método, e a adoção está a crescer a um ritmo acelerado em toda a Europa.

Para Portugal, onde continuam a registar-se vagas frequentes de campanhas de smishing a fingir-se de operadoras, bancos ou dos CTT, esta tecnologia representa uma barreira robusta. Sem uma palavra-passe para roubar, os ataques de engenharia social perdem grande parte da eficácia.

Limitações que ainda persistem

Nem tudo é perfeito. A adoção continua desigual: muitos serviços portugueses, incluindo várias entidades públicas e retalhistas, ainda não suportam passkeys. Existe também a questão da recuperação de conta em caso de perda de todos os dispositivos, algo que cada fornecedor resolve de forma diferente. A Proton opta por permitir exportação encriptada, evitando dependências de nuvens fechadas.

Outro ponto sensível é a interoperabilidade. Mover passkeys entre gestores (por exemplo, do iCloud Keychain para o Proton Pass) ainda não é fluído, embora o rascunho de standard da FIDO para exportação segura esteja em desenvolvimento avançado.

Vale a pena mudar agora?

Para quem já usa o ecossistema Proton, a resposta é direta: sim, começar a criar passkeys para os serviços mais críticos (email, banca, redes sociais) reduz drasticamente a superfície de ataque. Para quem hesita em depender de um único fornecedor, é possível começar com passkeys guardadas no próprio sistema operativo e migrar mais tarde.

O movimento da Proton não elimina de imediato a era das palavras-passe, mas confirma uma tendência clara: os gestores focados em privacidade estão a transformar-se numa infraestrutura tão essencial como o antivírus foi durante décadas. E, desta vez, com uma diferença importante — a chave já não está no servidor de ninguém, está apenas contigo.

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