Pré-condicionamento inteligente da bateria: a função silenciosa que corta minutos ao carregamento rápido

Uma funcionalidade que trabalha por ti antes de chegares ao carregador
O pré-condicionamento da bateria deixou de ser um exclusivo da Tesla. Marcas como a Hyundai, Kia, Polestar, BMW, Volkswagen, Ford e mais recentemente a Renault (com o novo Scenic E-Tech) e a Peugeot (na gama e-3008 com plataforma STLA Medium) estão a integrar sistemas de aquecimento inteligente da bateria que preparam o pack de células para receber corrente elétrica no seu ponto ótimo. O resultado prático é simples: em vez de esperares 40 minutos num posto ultrarrápido, podes cortar esse tempo para 20 a 25 minutos, sobretudo em dias frios de inverno.
Como funciona na prática
A bateria de um carro elétrico carrega mais depressa quando as células estão entre os 20 e os 35 graus Celsius. Em Portugal isto parece um pormenor, mas basta uma manhã de janeiro em Bragança ou uma viagem noturna pela A1 para a temperatura do pack cair abaixo dos 10 graus. Nessas condições, o BMS (sistema de gestão da bateria) limita a potência de carga para proteger as células, e o carregador de 150 kW acaba a debitar 60 kW. Com o pré-condicionamento ativo, o carro usa a resistência elétrica ou a bomba de calor para aquecer o pack durante a condução, de forma que ao chegares ao posto a bateria já esteja pronta para aceitar a potência máxima.
Como ativar consoante o modelo
A maioria dos fabricantes automatiza o processo quando defines um posto de carregamento rápido como destino no navegador de bordo. É o caso da Tesla, dos Kia EV6 e EV9, do Hyundai Ioniq 5 e 6, dos Polestar 2, 3 e 4, e dos BMW iX e i5. Se usares Google Maps, Waze ou Apple CarPlay em vez do navegador nativo, o sistema não sabe que vais parar num Ionity ou MIIT, e o pré-condicionamento não arranca. Nalguns modelos como o Volkswagen ID.4 e ID.7 podes ativar manualmente pelo menu de definições, forçando o aquecimento antes de chegar ao destino.
Truques para tirar o máximo partido
Primeiro: usa sempre o navegador do carro pelo menos nos últimos 30 a 40 quilómetros antes do posto rápido, mesmo que prefiras o Google Maps para o resto da viagem. Segundo: nos modelos com bomba de calor, o consumo do pré-condicionamento ronda os 2 a 4 kWh por sessão, o que é largamente compensado pelo tempo poupado. Terceiro: se o teu carro tiver modo Eco agressivo ativo, verifica se este não está a bloquear o aquecimento da bateria, algo que acontece em alguns Renault Mégane E-Tech e Dacia Spring.
O que aí vem
Os próximos passos passam pela integração com aplicações de terceiros. A A Better Routeplanner (ABRP) já envia sinais de pré-condicionamento para vários modelos via OVMS, e a Chargemap está a trabalhar em protocolos semelhantes. Também surgem sistemas preditivos que aprendem os teus hábitos: se paras sempre no mesmo posto perto de Fátima ou de Santarém, o carro começa a aquecer o pack sem precisares de indicar destino. É uma daquelas funcionalidades que trabalha em silêncio, mas que faz a diferença entre gostar ou detestar viagens longas em elétrico.
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