Ransomware dispara 23% em 2026: o cerco silencioso aos acessos empresariais

Ransomware dispara 23% em 2026: o cerco silencioso aos acessos empresariais

O panorama da cibersegurança empresarial atravessa um momento particularmente crítico. Os dados mais recentes revelam que a atividade global de ransomware continua a crescer de forma sustentada, colocando pressão adicional sobre as equipas de segurança e obrigando as organizações a repensar as suas estratégias de defesa.

Números que confirmam uma tendência preocupante

Só em junho de 2026, foram contabilizados 665 ataques de ransomware a nível mundial, um aumento de aproximadamente 23% face aos 543 incidentes registados no mesmo mês do ano anterior. No conjunto do segundo trimestre, o total ascendeu a 2.229 ocorrências, o que representa um crescimento de 3% em relação aos 2.165 casos assinalados no primeiro trimestre.

Estes valores confirmam que o ransomware deixou de ser uma ameaça pontual para se tornar uma constante estrutural no dia a dia das empresas, incluindo as portuguesas, que continuam a ser alvos atrativos devido à progressiva digitalização dos seus processos.

Os acessos empresariais no centro do ataque

A tendência mais visível é o foco crescente dos cibercriminosos nos acessos corporativos. Credenciais roubadas, VPNs mal configuradas e contas privilegiadas sem autenticação multifator continuam a ser as portas de entrada preferidas para operações de ransomware. O acesso inicial tornou-se um mercado próprio, com corretores especializados a venderem entradas em redes empresariais na dark web.

Programação automatizada: uma nova superfície de risco

Em paralelo, a democratização das ferramentas de desenvolvimento assistido por inteligência artificial está a introduzir novas vulnerabilidades. Se há alguns anos criar uma aplicação web exigia tempo e conhecimentos sólidos em engenharia de software, hoje modelos de linguagem e assistentes de programação permitem transformar uma ideia num produto funcional em poucas horas, através de instruções em linguagem natural.

Esta acessibilidade tem um reverso: aplicações geradas rapidamente, muitas vezes sem revisão de segurança, chegam a ambientes de produção com falhas graves que os atacantes exploram com facilidade.

Investimento em IA cresce 63% e muda o jogo

O investimento mundial em plataformas e modelos de inteligência artificial deverá atingir os 64 mil milhões de dólares em 2026, um crescimento de 63,4% face aos 39 mil milhões de 2025. Os modelos generativos lideram esta expansão, com um aumento estimado de 117%, enquanto as plataformas de desenvolvimento e gestão crescem 36,9%.

Este investimento massivo tem implicações diretas na cibersegurança: por um lado, oferece novas ferramentas defensivas; por outro, alimenta capacidades ofensivas cada vez mais sofisticadas.

Bruxelas aperta as regras de transparência da IA

A Comissão Europeia publicou as diretrizes que detalham as obrigações de transparência para os sistemas de inteligência artificial, ao abrigo do artigo 50.º do regulamento europeu. As regras tornam-se de cumprimento obrigatório a partir de 2 de agosto de 2026, e as empresas fornecedoras e operadoras que não cumpram enfrentam coimas que podem chegar aos 15 milhões de euros ou 3% da faturação mundial anual.

Para as empresas portuguesas que utilizam ou desenvolvem soluções de IA, é urgente rever processos, documentação e políticas de utilização.

Model Context Protocol prepara maior atualização de sempre

No campo técnico, a nova especificação do Model Context Protocol (MCP) já se encontra disponível para avaliação em versão candidata, representando a revisão técnica mais profunda deste padrão desde o seu lançamento. A versão definitiva está agendada para 28 de julho, e a nova arquitetura stateless promete simplificar integrações e melhorar a escalabilidade.

Programadores e responsáveis de sistemas dispõem de um período de dez semanas para validar as alterações em ambientes reais antes da adoção final.

O que retirar deste cenário

A combinação entre o crescimento do ransomware, a explosão do desenvolvimento assistido por IA e o novo enquadramento regulatório europeu desenha um cenário exigente para as empresas portuguesas. Reforçar a proteção dos acessos, auditar código gerado por IA e preparar a conformidade com o AI Act são passos que deixaram de ser opcionais.

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