Cibersegurança na Cloud: os 3 fatores que vão definir a gestão de risco até 2026

Cibersegurança na Cloud: os 3 fatores que vão definir a gestão de risco até 2026

A migração para a cloud já não é uma tendência emergente, é a realidade operacional da esmagadora maioria das empresas. Contudo, um novo relatório vem alertar para um desequilíbrio preocupante: enquanto mais de 70% das organizações opera em ambientes cloud complexos, apenas 17% dispõe de capacidades avançadas para gerir os riscos de cibersegurança que daí resultam.

Os dados constam do Cloud Security Forecast 2026, elaborado pela Qualys, e apontam para três grandes fatores que, na opinião dos analistas, vão marcar o futuro próximo da gestão de riscos de segurança em ambientes cloud modernos.

1. A explosão da complexidade multicloud

A adoção simultânea de várias plataformas — AWS, Azure, Google Cloud e ambientes híbridos — está a criar superfícies de ataque cada vez mais difíceis de mapear. Cada fornecedor tem as suas próprias configurações, políticas de identidade e mecanismos de segurança, o que gera um mosaico de responsabilidades partilhadas onde as falhas de configuração se tornam a principal porta de entrada para os atacantes.

Para as empresas portuguesas, muitas delas ainda a consolidar estratégias multicloud, este é um alerta claro: sem uma visão unificada dos riscos, o crescimento na cloud pode transformar-se rapidamente numa vulnerabilidade sistémica.

2. A gestão de identidades como novo perímetro

Com o desaparecimento do perímetro tradicional, a identidade digital assumiu-se como a nova linha da frente. Contas com privilégios excessivos, credenciais expostas em repositórios de código e permissões mal configuradas são apontadas como os vetores de ataque que mais vão crescer no próximo ano.

O relatório sublinha que a maioria dos incidentes recentes em ambientes cloud tem origem em falhas de gestão de acessos e não em vulnerabilidades técnicas complexas — o que reforça a urgência de estratégias Zero Trust e de auditorias contínuas às permissões atribuídas a utilizadores e a sistemas automatizados.

3. A inteligência artificial: aliada e ameaça

A IA generativa está a ser rapidamente adotada tanto pelas equipas de segurança como pelos cibercriminosos. Se, por um lado, permite acelerar a deteção de anomalias e automatizar respostas a incidentes, por outro, está a ser usada para criar campanhas de phishing mais sofisticadas, gerar malware polimórfico e explorar vulnerabilidades em código gerado automaticamente.

Os analistas antecipam que, em 2026, a capacidade das organizações para integrar IA nas suas operações de segurança — sem introduzir novos riscos — será um fator decisivo de resiliência.

Um fosso que urge fechar

O grande desafio identificado é o desfasamento entre a maturidade da adoção da cloud e a maturidade da gestão do risco. Enquanto 7 em cada 10 empresas já vivem no mundo multicloud, menos de 2 em cada 10 estão realmente preparadas para o defender.

Para o mercado português, ainda em plena aceleração digital, a mensagem é inequívoca: investir em ferramentas de visibilidade unificada, gestão de identidades robusta e automação inteligente deixou de ser opcional. Nos próximos meses, será a diferença entre uma cloud que impulsiona o negócio e uma cloud que o expõe.

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