Óculos inteligentes ultrapassam smartwatches: a nova aposta dos fabricantes wearables

O mercado wearable muda de pulso para rosto
Durante quase uma década, o smartwatch foi o rei indiscutível dos wearables. Agora, o eixo da inovação está a deslocar-se para os óculos inteligentes, e os números do mercado começam a confirmar essa mudança de paradigma. Segundo dados recentes da IDC e da Counterpoint Research, os envios globais de smart glasses cresceram acima dos 200% ano a ano, enquanto o segmento dos smartwatches regista estagnação e, em alguns trimestres, ligeira contração.
Ray-Ban Meta acendeu o rastilho
O grande responsável por esta viragem tem nome próprio: os Ray-Ban Meta, resultado da parceria entre a Meta e a EssilorLuxottica. O modelo já ultrapassou os dois milhões de unidades vendidas e a EssilorLuxottica confirmou planos para escalar a produção para dez milhões de unidades anuais até ao final da década. A integração com o Meta AI, a captação de vídeo em primeira pessoa e o formato socialmente aceitável fizeram destes óculos o primeiro wearable de rosto verdadeiramente mainstream.
Concorrência a preparar resposta
A Samsung, em parceria com a Google e a Warby Parker, tem em preparação óculos com Android XR, um sistema operativo desenhado especificamente para dispositivos de realidade estendida. A Apple, por seu turno, terá adiado o Vision Pro mais barato para acelerar o desenvolvimento de óculos leves com Apple Intelligence integrada, segundo relatos de Mark Gurman na Bloomberg. Já a Xiaomi lançou os AI Glasses no mercado chinês por cerca de 260 euros, colocando pressão sobre o segmento de entrada.
Realidade virtual continua nicho
Enquanto os óculos leves conquistam terreno, os headsets de realidade virtual continuam presos ao nicho. O Vision Pro da Apple ficou aquém das expectativas iniciais, com estimativas de menos de 500 mil unidades vendidas, e a Meta reorientou parte do investimento do Quest para os óculos com IA. A conclusão que se retira das últimas conferências financeiras é clara: os fabricantes acreditam que o próximo grande formato de computação pessoal não passa por capacetes imersivos, mas por armações leves com câmara, colunas e assistente de IA sempre disponível.
Portugal segue a tendência
Em Portugal, os Ray-Ban Meta chegaram através da rede Sunglass Hut e óticas parceiras, com preços a partir dos 329 euros. A adoção tem sido tímida, mas consistente, sobretudo entre criadores de conteúdo e profissionais que valorizam a captura hands-free. Operadores como a MEO e a NOS ainda não integraram estes dispositivos nos seus catálogos, o que pode limitar a massificação até que surjam modelos com conectividade celular independente.
O que esperar a seguir
A próxima geração de smart glasses deverá trazer ecrãs micro-LED integrados nas lentes, permitindo notificações discretas, tradução em tempo real e navegação assistida. Os protótipos Orion da Meta já demonstraram esta capacidade, embora o custo de produção continue proibitivo. A batalha, agora, joga-se em três frentes: autonomia da bateria, qualidade da IA local e aceitação social. Quem resolver esta tripla equação primeiro pode ficar com a próxima grande categoria de hardware pessoal.
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