Passkeys no WhatsApp para cópias de segurança: adeus às palavras-passe nas conversas na cloud

Passkeys no WhatsApp para cópias de segurança: adeus às palavras-passe nas conversas na cloud

O fim das palavras-passe nas cópias de segurança do WhatsApp

A Meta começou a distribuir uma das mudanças mais significativas em matéria de privacidade no WhatsApp dos últimos tempos: a possibilidade de proteger as cópias de segurança encriptadas de ponta a ponta com passkeys, em vez das tradicionais palavras-passe ou da chave de 64 dígitos que ninguém decorava. A funcionalidade, confirmada recentemente pela empresa, está a chegar de forma faseada a utilizadores de Android e iOS em Portugal.

O que muda na prática para quem usa o WhatsApp

Até agora, quem queria guardar o histórico de conversas na Google Drive ou no iCloud com encriptação de ponta a ponta tinha de escolher entre uma palavra-passe (fácil de esquecer) ou uma chave de 64 caracteres (praticamente impossível de gerir). Com as passkeys, a autenticação passa a ser feita através da biometria do telemóvel — impressão digital, reconhecimento facial ou o PIN do ecrã de bloqueio.

Na prática, quando restauras uma conversa num novo aparelho, basta desbloquear o telemóvel para aceder à cópia de segurança. A chave criptográfica fica armazenada no gestor de passkeys do sistema (Google Password Manager no Android, Chaveiro do iCloud no iOS), sincronizada de forma segura entre dispositivos do mesmo ecossistema.

Porque é que isto importa para a privacidade

As passkeys assentam no padrão FIDO2/WebAuthn e são, por definição, resistentes a phishing. Ao contrário das palavras-passe, não existe nada que possa ser "roubado" por um site falso ou por uma mensagem SMS fraudulenta, porque a chave privada nunca sai do dispositivo. Para o WhatsApp, que continua a ser um dos principais vetores de burlas em Portugal — do clássico esquema do "filho que perdeu o telemóvel" às tentativas de sequestro de conta via código SMS —, esta é uma camada adicional relevante.

Há ainda um detalhe técnico importante: nem a Meta nem os fornecedores de cloud conseguem aceder ao conteúdo da cópia de segurança. A encriptação continua a ser ponta a ponta, e a passkey serve apenas como forma de desbloquear a chave que descodifica esses dados no teu aparelho.

Como ativar a funcionalidade

Se já tens a atualização disponível, o caminho é simples: abre o WhatsApp, vai a Definições > Conversas > Cópia de segurança das conversas > Cópia de segurança encriptada de ponta a ponta e escolhe a opção de criar uma passkey. O sistema pede a biometria e trata do resto. Quem já tinha uma palavra-passe ou chave de 64 dígitos pode migrar sem perder o histórico.

O que os rumores apontam a seguir

De acordo com informação avançada por fontes próximas do desenvolvimento e por códigos analisados em versões beta, a Meta estará também a preparar o suporte a passkeys para iniciar sessão na própria conta do WhatsApp, substituindo o código SMS por autenticação biométrica. Se se confirmar, será um passo decisivo para eliminar o chamado SIM swap — uma das técnicas mais usadas para tomar controlo de contas em Portugal nos últimos meses.

Há ainda indícios de que o WhatsApp poderá alargar o mesmo mecanismo às chamadas Communities e a chats empresariais, onde a gestão de acessos partilhados tem sido um ponto fraco em termos de segurança.

Vale a pena mudar já?

Para a maioria dos utilizadores, a resposta é sim. As passkeys são mais seguras, mais rápidas e eliminam o ponto de falha humano de escolher palavras-passe fracas ou repetidas. O único cuidado a ter é garantir que o gestor de passkeys do sistema está devidamente sincronizado — perder o único dispositivo com a passkey sem ter alternativa configurada pode significar perder o acesso à cópia de segurança. Configurar dois métodos, sempre que possível, continua a ser boa prática.

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