Ray-Ban Meta chegam a Portugal: os óculos inteligentes que já se vendem nas óticas nacionais

Ray-Ban Meta chegam a Portugal: os óculos inteligentes que já se vendem nas óticas nacionais

Os óculos inteligentes deixaram de ser uma miragem em Portugal

Durante muito tempo, quem quisesse experimentar um wearable com câmara integrada, assistente de voz e ligação direta ao telemóvel tinha de recorrer a importações através de Espanha ou dos Estados Unidos. Essa barreira caiu: os Ray-Ban Meta, fruto da parceria entre a EssilorLuxottica e a Meta, começaram a chegar às óticas portuguesas e já podem ser encomendados através de revendedores oficiais em Lisboa, Porto e Braga, com preços a partir de cerca de 369 euros para o modelo Wayfarer standard.

O que é que estes óculos fazem, afinal?

À primeira vista parecem uns Ray-Ban clássicos, mas escondem uma câmara de 12 MP capaz de gravar vídeo em 1080p, cinco microfones, colunas open-ear discretas e um assistente de voz que reage à expressão "Ei Meta". Permitem tirar fotografias, gravar clips, ouvir música, atender chamadas e transmitir em direto para o Instagram ou Facebook sem tocar no telemóvel. A autonomia ronda as quatro horas de uso ativo, com um estojo de carregamento que estende essa duração até 36 horas.

A grande novidade: a IA multimodal está a chegar ao mercado europeu

A funcionalidade que mais expectativa gera entre os utilizadores portugueses é a Meta AI com visão. Depois de meses reservada aos Estados Unidos, a Meta começou a alargar o acesso a países da União Europeia, sendo agora possível pedir ao assistente para descrever aquilo que estamos a ver, traduzir uma ementa de restaurante em tempo real ou identificar um monumento durante um passeio. Para quem trabalha em turismo, jornalismo de terreno ou simplesmente gosta de partilhar experiências, isto muda a forma como se documenta o dia a dia.

Preocupações com privacidade em contexto português

A Comissão Nacional de Proteção de Dados já se pronunciou sobre wearables com câmara e a regra é clara: existe um LED branco frontal que se acende sempre que se grava, e desativar esse indicador viola os termos de utilização. Em espaços privados, cafés ou transportes públicos, filmar terceiros sem consentimento continua a estar sujeito ao RGPD, algo que os utilizadores em Portugal precisam de ter presente antes de sair à rua com o dispositivo na cara.

Concorrência já se prepara para responder

A Samsung, em parceria com a Google e a Warby Parker, prepara a sua própria proposta com base no Android XR, e há rumores persistentes de que a Apple está a acelerar o desenvolvimento de uns óculos mais leves depois da receção morna do Vision Pro. Enquanto isso, marcas como a Xiaomi já apresentaram protótipos com ecrã integrado na lente, algo que os Ray-Ban Meta ainda não oferecem. Para o consumidor português, isto significa que a próxima vaga de wearables promete ser bem mais competitiva e, potencialmente, com preços mais acessíveis.

Vale a pena investir agora?

Se procura substituir o telemóvel, a resposta é não: estes óculos são um complemento, não uma alternativa. Mas para quem cria conteúdo, faz desporto ao ar livre ou passa muitas horas com as mãos ocupadas, representam a forma mais madura de trazer a assistência por IA para o campo de visão sem recorrer a headsets volumosos. A chegada oficial a Portugal, com garantia europeia e suporte em português, elimina finalmente o argumento de que "ainda é cedo demais".

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