Stablecoin da Revolut: o rumor que agita a fintech europeia

Stablecoin da Revolut: o rumor que agita a fintech europeia

Revolut prepara-se para lançar a sua própria stablecoin

A Revolut, uma das fintechs mais populares em Portugal e na Europa, parece estar a acelerar os planos para lançar uma stablecoin própria. Segundo informações avançadas pela Reuters e confirmadas por várias fontes ligadas à empresa, o neobanco britânico está em fase avançada de desenvolvimento de um token indexado ao euro ou ao dólar, uma jogada que pode reposicionar a marca no mercado das criptomoedas.

O timing não é casual. Com a entrada em vigor do regulamento MiCA (Markets in Crypto-Assets) na União Europeia, criou-se um enquadramento legal claro para a emissão de stablecoins reguladas em solo europeu. A Revolut, que já detém licença bancária, tem uma vantagem competitiva evidente face a rivais como a Circle (USDC) ou a Tether (USDT).

Porque é que isto importa para os utilizadores portugueses

Se o rumor se confirmar, os cerca de três milhões de utilizadores portugueses da Revolut poderão vir a ter acesso a uma stablecoin integrada diretamente na aplicação. Isto significa transferências instantâneas sem taxas de câmbio, pagamentos em criptomoeda com liquidação imediata e, potencialmente, rendimentos passivos através de mecanismos de staking ou depósitos remunerados.

Para quem já usa a Revolut para investir em cripto, uma stablecoin nativa eliminaria intermediários e reduziria o spread aplicado nas conversões. É também uma resposta direta ao avanço de concorrentes como a Ripple, que anunciou a sua RLUSD, e ao domínio quase absoluto da Tether no segmento.

O ângulo regulatório: MiCA muda o jogo

A regulamentação europeia obriga os emissores de stablecoins a manter reservas totalmente colateralizadas, auditadas regularmente e depositadas em instituições financeiras licenciadas. A Revolut, ao contrário de muitos players cripto-nativos, cumpre já a maioria destes requisitos. Isto coloca a empresa numa posição privilegiada para captar utilizadores institucionais, que até agora hesitavam em usar stablecoins não reguladas.

Analistas do setor apontam que uma stablecoin em euros emitida por uma entidade regulada na UE pode acelerar a adoção de pagamentos em criptomoeda no comércio europeu. Portugal, com o seu ecossistema cripto-friendly e uma comunidade ativa de investidores, seria um dos mercados a beneficiar mais rapidamente.

O que falta saber

Oficialmente, a Revolut não confirmou nem desmentiu o lançamento. Nas declarações públicas mais recentes, a empresa limita-se a afirmar que continua a expandir a sua oferta de produtos cripto. Espera-se, contudo, que uma comunicação formal chegue nos próximos meses, possivelmente acompanhada de parcerias com plataformas DeFi ou exchanges parceiras.

Entre as questões ainda em aberto estão a moeda de referência (euro, dólar ou ambos), o nome comercial do token, a rede blockchain escolhida (Ethereum, Solana ou uma solução layer-2) e o modelo de remuneração para quem detiver o ativo. Seja qual for a resposta, o mercado europeu de stablecoins prepara-se para uma nova fase de concorrência.

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