BLOOM defende o fim dos mega-navios com mais de 33 metros para travar a destruição dos oceanos

BLOOM defende o fim dos mega-navios com mais de 33 metros para travar a destruição dos oceanos

A organização BLOOM lançou uma campanha para desmantelar navios com mais de 33 metros, responsáveis pela destruição dos oceanos, visando a pequena fatia da frota europeia que causa a maioria dos danos.

A Medida dos 33 Metros da BLOOM e o Fim da Pesca Mega-Industrial

Enquanto a União Europeia se prepara para votar o seu orçamento para os próximos sete anos, a BLOOM apresenta uma campanha sem precedentes. O objetivo é garantir o desmantelamento de um segmento da frota que representa apenas 1% dos navios europeus, mas que é responsável pela maior parte dos danos infligidos ao oceano e à indústria pesqueira: as embarcações com mais de 33 metros de comprimento.

Este conceito de “Comprimento Máximo Tolerável” (CMT), proposto pela BLOOM pela primeira vez a nível mundial, foi cientificamente identificado através da análise de vários parâmetros, nomeadamente a distância entre as operações de pesca e os portos de registo das frotas. Os dados são alarmantes: estes navios mega-industriais operam, em média, a 4.000 km do seu porto de origem. Além disso, 84% destas embarcações utilizam artes de pesca com elevado impacto ambiental, como é o caso das redes de arrasto.

Ciência e literatura ao serviço da preservação marinha

A campanha da BLOOM baseia-se em duas publicações exclusivas que sustentam a necessidade desta medida drástica:

  • O relatório científico intitulado “33 metros: O Comprimento Máximo Tolerável”.
  • O livro “Reprendre La mer” (Reivindicar o Oceano), co-autoria de Claire Nouvian (fundadora da BLOOM), do filósofo Baptiste Morizot e do especialista de renome mundial em oceanos, o Professor Daniel Pauly.

O Impacto Devastador de 1% da Frota Europeia

A BLOOM, em conjunto com a Blue Marine Foundation, apela ao desmantelamento de 638 navios com mais de 33 metros de comprimento. Segundo a organização, estas embarcações estão a destruir muito mais do que apenas o ecossistema marinho; estão a comprometer a subsistência de 99% dos pescadores e a própria democracia. O lobby poderoso exercido por este setor corre frequentemente contra o interesse público.

Um dado particularmente grave revelado pela BLOOM indica que um em cada sete navios neste segmento de gigantes mega-industriais está implicado em casos de fraude, pesca ilegal ou corrupção. O estudo sublinha que, sem os subsídios públicos dos quais estas frotas são estruturalmente dependentes, a devastação cessaria imediatamente. As exigências da BLOOM estão já a ser traduzidas em propostas de alteração ao orçamento por deputados do Parlamento Europeu, como os franceses David Cormand e Emma Fourreau.

Financiamento Europeu: O Próximo Quadro Financeiro Plurianual

O próximo trimestre será decisivo para o futuro das pescas na Europa. Estão em curso negociações sobre o Próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP) em Bruxelas. Para o período de 2028-2034, podem ser destinados entre 3,5 e 7 mil milhões de euros ao setor das pescas. A BLOOM argumenta que este é o momento crítico para redefinir como este dinheiro é utilizado.

Os investigadores da BLOOM identificaram o ponto de rutura onde a pesca em grande escala — incentivada pela União Europeia — destrói mais riqueza social, biológica e económica do que a que produz. Ao fixar o CMT nos 33 metros, a BLOOM destaca que estas embarcações passam 50% do seu tempo de pesca fora das águas europeias, apesar de representarem apenas 1% da frota total (638 navios a nível da UE). Surpreendentemente, são estas as unidades que recebem a maioria dos subsídios enquanto capturam metade de todo o peixe.

Soberania Alimentar e Preservação de Empregos

A questão levantada pela BLOOM não é apenas ambiental, mas também económica e social. Existem três desafios fundamentais: acabar com o financiamento de um modelo deficitário, salvaguardar postos de trabalho e garantir a soberania alimentar. Desde 2017, a indústria pesqueira europeia perdeu 25% dos seus empregos a tempo inteiro.

A eficiência da pesca artesanal

Contrariamente à crença popular de que os grandes navios são mais eficientes, os dados da BLOOM mostram o contrário:

  • A pesca artesanal de pequena escala gera até quatro vezes mais valor acrescentado do que os grandes navios.
  • Esta modalidade cria dez vezes mais empregos por cada tonelada de peixe desembarcado.

Como referem os autores do livro “Reprendre La mer”, a proposta passa por utilizar o dinheiro dos contribuintes europeus, pela última vez, para financiar o desmantelamento destas frotas de mais de 33 metros, em vez de continuar a sustentar uma frota semelhante ao “Titanic” que arrasta todo o setor para o fundo.

Perguntas Frequentes

O que é o Comprimento Máximo Tolerável (CMT) proposto pela BLOOM?

É um limite científico estabelecido em 33 metros de comprimento para navios de pesca. Acima desta medida, a BLOOM considera que o impacto ambiental e o custo social superam qualquer benefício económico produzido pela embarcação.

Por que razão a BLOOM quer desmantelar 1% da frota europeia?

Porque esse 1% (cerca de 638 navios) é responsável pela maioria da destruição oceânica, utiliza artes de pesca agressivas e consome a maior parte dos subsídios públicos que poderiam ser usados para apoiar a pesca artesanal sustentável.

Qual é a diferença de emprego entre a pesca industrial e a artesanal?

De acordo com os dados da BLOOM, a pesca artesanal é muito mais eficiente na criação de trabalho, gerando dez vezes mais empregos por cada tonelada de peixe capturado em comparação com os grandes navios-fábrica mega-industriais.

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