ConsumerChoice: 86% dos portugueses quer envelhecer em casa, mas falta adaptação nas habitações

ConsumerChoice: 86% dos portugueses quer envelhecer em casa, mas falta adaptação nas habitações

O desafio do envelhecimento em Portugal segundo a ConsumerChoice

Um novo estudo desenvolvido pela ConsumerChoice sobre o envelhecimento da população em Portugal revela dados cruciais sobre as expectativas e as carências dos cidadãos nacionais. Segundo a análise, 86% dos inquiridos manifesta o desejo de permanecer na sua própria casa durante a velhice, com ou sem a necessidade de apoio domiciliário. Contudo, este desejo de independência esbarra numa realidade preocupante: apenas 14% dos participantes considera que a sua habitação atual se encontra totalmente preparada para garantir essa autonomia.

Para a ConsumerChoice, envelhecer com qualidade transcende a longevidade biológica. O estudo sublinha que, para os consumidores, este processo envolve a preservação da saúde, a manutenção da autonomia, a independência e a manutenção de laços sociais sólidos. A disparidade entre o desejo de envelhecer no conforto do lar e a falta de adaptação das infraestruturas revela um desafio estrutural que Portugal enfrenta à medida que a demografia do país se altera significativamente.

Quais as principais barreiras para o envelhecimento no próprio lar?

A adaptação física das habitações surge como um dos maiores obstáculos identificados no estudo da ConsumerChoice. Com o aumento da esperança média de vida, torna-se urgente repensar a arquitetura e a funcionalidade das casas para que estas não se tornem locais de isolamento ou risco. Os inquiridos destacaram as seguintes condições como prioritárias para permitir uma permanência prolongada em casa:

  • Ausência de escadas e outras barreiras arquitetónicas (valorizado por 63% dos inquiridos);
  • Instalação de uma casa de banho adaptada (valorizado por 58%);
  • Proximidade de serviços de saúde essenciais (valorizado por 54%).

A luta contra a solidão e a importância do apoio

Para além das barreiras físicas, a dimensão social do envelhecimento é avassaladora. De acordo com a ConsumerChoice, 96% dos participantes aponta a solidão como um dos principais problemas associados a esta etapa da vida. Para mitigar o isolamento, as soluções passam por um ecossistema de apoio diversificado: 70% dos inquiridos defende um maior acompanhamento familiar, 61% aposta nos centros de convívio, enquanto 53% destaca tanto as atividades comunitárias como o apoio domiciliário como medidas fundamentais.

O papel transformador da tecnologia na terceira idade

A tecnologia é vista como uma aliada estratégica, com 94% dos inquiridos a acreditar que esta pode melhorar a qualidade de vida dos mais velhos. Nassrin Majid, Diretora-Geral da ConsumerChoice, salienta que "os consumidores não querem simplesmente viver mais anos, querem continuar a decidir, participar e viver de forma independente". A especialista reforça que, embora a tecnologia tenha um papel determinante, "existe ainda um caminho pertinente a fazer para adaptar as condições de vida e as soluções disponíveis a uma população que vai viver mais tempo".

As principais utilidades da tecnologia identificadas no estudo são:

  • Comunicação facilitada com familiares (68%);
  • Monitorização de parâmetros de saúde (66%);
  • Utilização de sistemas de alertas de emergência (64%);
  • Acesso a teleconsultas (59%).

Barreiras à adoção tecnológica

Apesar do potencial, a ConsumerChoice alerta que existem obstáculos: a falta de conhecimentos digitais afeta 49% da população idosa, enquanto o medo da fraude é um entrave para 19%. Consequentemente, 96% dos inquiridos considera essencial o desenvolvimento de produtos e serviços digitais criados especificamente a pensar nas necessidades da população sénior.

Impacto sistémico e prioridades de vida

O estudo da ConsumerChoice reflete uma consciência transversal sobre o impacto social. Entre os inquiridos com mais de 45 anos, 85% antecipa pressões significativas no sistema de saúde e 82% manifesta preocupação com o futuro das pensões. No que toca à qualidade de vida, a saúde lidera as prioridades (90%), seguida pela segurança financeira (61%) e pela capacidade de manter a independência e o poder de decisão (58%).

Perguntas Frequentes

Por que é difícil envelhecer em casa em Portugal?

Segundo o estudo da ConsumerChoice, a principal dificuldade é a falta de preparação das habitações, com apenas 14% dos inquiridos a considerar a sua casa totalmente adaptada, nomeadamente pela falta de acessibilidades como a remoção de escadas.

Como a tecnologia pode ajudar os idosos?

A tecnologia é vista como fundamental para a comunicação familiar, monitorização de saúde, alertas de emergência e teleconsultas, embora 96% dos inquiridos peça produtos adaptados para combater o défice de competências digitais.

Qual o papel da família no envelhecimento?

A família é central na estratégia de combate ao isolamento: 70% dos inquiridos pela ConsumerChoice aponta o maior acompanhamento familiar como a solução principal para reduzir a solidão, que é sentida por 96% das pessoas como um grande desafio.

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