ESET alerta para riscos digitais no regresso às aulas: 5 cuidados essenciais para alunos e famílias

O regresso às aulas em 2026 e a segurança digital
Com o início de setembro, a azáfama do novo ano letivo regressa às casas portuguesas. Além dos tradicionais livros, cadernos e horários, a ESET, empresa especialista em soluções de cibersegurança, alerta que a preparação deve agora incluir obrigatoriamente a vertente digital. Em Lisboa, no dia 08 de setembro de 2026, a marca sublinhou que computadores, tablets e telemóveis são ferramentas de estudo centrais, mas trazem consigo responsabilidades acrescidas na gestão de dados pessoais e credenciais escolares.
As plataformas de ensino e as ferramentas de inteligência artificial tornaram-se parte integrante da rotina dos alunos. No entanto, este ecossistema digital exige uma revisão cuidada antes de as aulas começarem. A ESET recomenda que as famílias aproveitem este período para auditar os equipamentos e serviços, garantindo que o ano letivo decorre sem sobressaltos informáticos.
1. Atualizar e proteger os dispositivos de estudo
A primeira linha de defesa contra ataques informáticos é a manutenção do software. Antes de o aluno carregar o computador na mochila, é vital verificar se o sistema operativo, os navegadores de internet e as aplicações de estudo estão na versão mais recente. A ESET recorda que as atualizações não se limitam a novas funcionalidades decorativas; elas corrigem vulnerabilidades críticas.
O que são vulnerabilidades de software?
Uma vulnerabilidade é uma falha ou 'buraco' no código de um programa que pode ser explorado por cibercriminosos para ganhar acesso não autorizado ao dispositivo. Ao atualizar o software, o utilizador está a aplicar um 'remendo' (patch) que fecha essa porta. Complementarmente, a ESET recomenda manter ativa uma solução de cibersegurança robusta que possa identificar ficheiros maliciosos e bloquear páginas fraudulentas em tempo real. Este é também o momento ideal para fazer uma limpeza digital, removendo extensões de browser e programas que já não têm utilidade.
2. Proteger as contas que acompanham o percurso escolar
As contas de correio eletrónico e o armazenamento na nuvem (cloud) são o repositório de grande parte da vida académica de um estudante. Perder o acesso a estas contas ou vê-las comprometidas pode significar a perda de trabalhos escolares importantes ou a exposição de dados sensíveis. A ESET aconselha o uso de credenciais únicas e complexas para cada serviço.
A importância da Autenticação Multifator (MFA)
Sempre que disponível, deve ser ativada a autenticação multifator. Este sistema acrescenta uma camada de segurança: além da palavra-passe, o utilizador precisa de confirmar a identidade através de um segundo método, como um código enviado por SMS ou uma notificação numa aplicação específica no telemóvel. A ESET reforça ainda a necessidade de verificar os métodos de recuperação de conta, como o email alternativo ou o número de telemóvel associado, garantindo que os pais de crianças mais novas supervisionam e conhecem estas configurações.
3. Rever a privacidade e as permissões das aplicações
Muitas aplicações instaladas para fins educativos pedem acesso a funções sensíveis do dispositivo, como a câmara, o microfone, a localização ou os contactos. No âmbito das suas recomendações, a ESET sugere uma auditoria rigorosa a estas permissões antes do arranque das aulas.
- Verificar acessos: Uma aplicação de leitura de PDFs não necessita, à partida, de acesso à localização geográfica ou ao microfone.
- Remover o desnecessário: Aplicações instaladas no ano anterior e que já não são usadas devem ser eliminadas, especialmente se mantiverem acesso a dados pessoais em segundo plano.
- Privacidade ativa: Reduzir o rasto digital do aluno ajuda a prevenir situações de stalking ou de recolha indevida de dados por parte de terceiros.
4. Utilizar inteligência artificial com sentido crítico
A inteligência artificial (IA) tornou-se uma assistente comum para organizar informação e esclarecer dúvidas. Contudo, a ESET alerta para o perigo da partilha excessiva de dados. Os alunos não devem introduzir em chatbots ou assistentes virtuais informações como moradas, dados bancários, documentos de identificação ou segredos familiares.
A falibilidade da IA
É crucial que o aluno entenda que a IA pode alucinar, ou seja, apresentar informações incorretas ou inventadas com um tom de autoridade. A ESET sublinha que estas ferramentas não devem ser vistas como fontes de verdade absoluta. A verificação da informação em fontes fiáveis e oficiais continua a ser uma competência essencial que os pais devem incentivar nos seus filhos.
5. Desconfiar de mensagens que criam um sentido de urgência
A engenharia social continua a ser uma das táticas mais eficazes dos atacantes. Mensagens que alegam que uma conta escolar vai ser bloqueada, que existe um pagamento de propinas pendente ou que um documento urgente precisa de ser consultado são iscos comuns. A ESET recomenda cautela máxima perante pedidos inesperados de credenciais ou pagamentos.
Sempre que surgir uma dúvida sobre a autenticidade de um contacto, deve-se utilizar um canal oficial (como o telefone da escola ou o contacto direto com o professor) para confirmar o pedido. A marca deixa ainda um aviso sobre os códigos QR: o facto de estarem num documento que parece familiar não garante que sejam seguros. Antes de submeter dados numa página aberta por um código QR, deve-se inspecionar o URL no navegador.
Conclusão: Tecnologia e bons hábitos andam de mãos dadas
A segurança digital, segundo a ESET, é o resultado da combinação entre a tecnologia de proteção e os hábitos conscientes dos utilizadores. Preparar o ano letivo de 2026 exige mais do que material físico; requer um investimento de tempo na atualização de sistemas, na instalação de antivírus e na educação para o risco. Saber parar e pensar antes de clicar numa mensagem inesperada pode ser a diferença entre um ano escolar tranquilo e um incidente de cibersegurança grave.
Perguntas Frequentes
O que é a autenticação multifator recomendada pela ESET?
A autenticação multifator (MFA) é um método de segurança que exige dois ou mais comprovativos de identidade para aceder a uma conta. Geralmente, envolve algo que o utilizador sabe (a palavra-passe) e algo que o utilizador possui (um código enviado para o telemóvel), tornando muito mais difícil para um atacante roubar o acesso.
Como posso saber se uma aplicação escolar é segura?
A ESET recomenda verificar a fonte da aplicação (lojas oficiais como Google Play ou App Store), ler as permissões que a app solicita e investigar as avaliações de outros utilizadores. No caso de aplicações indicadas pela escola, os pais devem confirmar se a instituição validou as políticas de privacidade da ferramenta.
Porque é que a ESET desaconselha partilhar dados com a Inteligência Artificial?
Muitas ferramentas de Inteligência Artificial utilizam os dados introduzidos pelos utilizadores para treinar os seus modelos. Isto significa que qualquer informação pessoal ou sensível partilhada num chatbot pode ficar guardada nos servidores da empresa proprietária da IA, perdendo-se o controlo sobre quem tem acesso a esses dados no futuro.
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