Schneider Electric: IA Industrial será decisiva para travar perdas de produção no setor de bens de consumo até 2030

O novo estudo da Schneider Electric revela que os fabricantes de bens de consumo preveem um aumento das perdas de produção, vendo na IA um fator crítico de competitividade.
A crise de margens no setor de bens de consumo embalados
A Schneider Electric, líder global na transformação digital da gestão de energia e automação, acaba de divulgar os resultados do seu inquérito global Industrial AI in CPG Survey 2026. O estudo, que contou com a participação de 1.453 executivos de topo, traça um cenário desafiante para os fabricantes de bens de consumo embalados (CPG - Consumer Packaged Goods), que enfrentam uma pressão crescente sobre as suas margens operacionais.
De acordo com os dados recolhidos pela Schneider Electric, as ineficiências na produção — que englobam atrasos, tempos de inatividade não planeados e falhas mecânicas — já representam cerca de 20,3% do custo final de cada produto fabricado. Mais grave ainda é o facto de 15,2% da receita média de produção ser atualmente perdida devido a paragens evitáveis, retrabalho, desvios nos padrões de qualidade ou uma utilização subótima dos ativos industriais.
As perspetivas para o futuro próximo são ainda mais alarmantes: a Schneider Electric prevê que estas perdas evitáveis subam para 21,37% já no próximo ano, podendo atingir os 29,14% até ao final da década (2030). Este aumento dos custos estruturais obriga as empresas a procurar soluções tecnológicas que permitam mitigar a volatilidade do mercado.
A aposta na Inteligência Industrial e o retorno esperado
Para contrariar esta tendência, os fabricantes estão a depositar as suas esperanças na chamada inteligência industrial, que a Schneider Electric define como a convergência estratégica entre a Inteligência Artificial (IA), a análise de dados e a automação moderna.
Embora atualmente apenas 13% dos fabricantes de CPG afirmem ter a IA totalmente integrada de ponta a ponta nas suas operações, as expectativas para 2030 são extremamente ambiciosas:
- 37% das empresas esperam que a IA seja o pilar fundamental das suas operações em apenas quatro anos.
- Um terço dos inquiridos (32,7%) prevê que os projetos de IA gerem retornos (ROI) entre 50% e 74% até 2030.
- Cerca de 7,9% dos executivos antecipam um ROI superior a 100%, o que significaria que o investimento tecnológico se pagaria integralmente em menos de um ano.
Contudo, a realidade atual mostra que o setor ainda está numa fase inicial de maturação. Cerca de 70% dos inquiridos pela Schneider Electric admitem que o ROI atual das suas implementações de IA é inferior a 20%, e 28,4% registam ganhos de apenas 5% ou menos.
O conceito de Fábricas Lighthouse e a Inteligência Industrial
Neil Smith, President CPG da Schneider Electric, sublinha que este "fosso de expectativas" é um sinal claro de urgência. Smith defende que a IA só é verdadeiramente transformadora quando proporciona inteligência industrial real: a capacidade de sincronizar dados em tempo real com automação para tomar decisões que escalem a eficiência. Atualmente, este nível de excelência só é visível nas chamadas "fábricas Lighthouse" (fábricas farol), termo utilizado pelo Fórum Económico Mundial para designar as unidades de produção mais avançadas do mundo em termos de Quarta Revolução Industrial.
Obstáculos estruturais impedem a escalabilidade da IA
Um dos pontos fulcrais do relatório da Schneider Electric é que o entrave à adoção da IA não reside na tecnologia em si, mas sim em questões estruturais e humanas dentro das organizações. O estudo identifica quatro barreiras principais:
- Lacunas de competências: 43% dos inquiridos aponta a falta de especialistas em IA ou ciência de dados como o maior problema.
- Sistemas legados: 37,5% das empresas lutam com infraestruturas de automação obsoletas que não comunicam facilmente com novas tecnologias.
- Dados fragmentados: 36,3% mencionam a falta de dados operacionais contextualizados.
- Resistência à mudança: 25,7% dos executivos enfrentam dificuldades na aceitação das novas ferramentas por parte da força de trabalho.
Curiosamente, estas preocupações superam as questões de cibersegurança ou conformidade legal, que foram citadas por apenas 21,7% dos participantes.
O impacto no contexto industrial português
Embora não existam dados públicos que quantifiquem especificamente estas ineficiências em Portugal, a Schneider Electric recorda que o setor de CPG é vital para a economia nacional. A indústria alimentar e de bebidas representa aproximadamente 14% do valor acrescentado bruto da indústria transformadora em Portugal. Num mercado globalizado, a digitalização e a adoção de boas práticas, como as promovidas pelos SE Advisory Services da Schneider Electric, tornam-se essenciais para manter a competitividade das empresas portuguesas face aos gigantes internacionais.
A Cécile Vercellino, SVP Services, Industrial Automation da Schneider Electric, reforça que alcançar o impacto pretendido exige uma mudança na colaboração e transparência industrial, aplicando o conhecimento acumulado em projetos globais para acelerar a transformação digital em setores críticos como as ciências da vida e a alimentação.
Perguntas Frequentes
O que é o setor CPG mencionado no estudo da Schneider Electric?
CPG é a sigla para Consumer Packaged Goods (Bens de Consumo Embalados). Refere-se a produtos que os consumidores utilizam regularmente e que precisam de ser substituídos ou repostos com frequência, como alimentos, bebidas, produtos de limpeza e artigos de higiene pessoal.
O que são sistemas de automação legados?
Sistemas legados são infraestruturas tecnológicas, software ou hardware antigos que ainda estão em funcionamento numa fábrica, mas que têm dificuldade em integrar-se com tecnologias modernas como a IA, funcionando muitas vezes como ilhas de informação isoladas.
Qual é o impacto financeiro das ineficiências de produção?
Segundo o estudo da Schneider Electric, as ineficiências já representam mais de 20% do custo de fabrico de um produto. Se nada for feito, prevê-se que estas perdas possam consumir quase 30% do valor de produção até 2030, comprometendo a viabilidade de muitos fabricantes.
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