Check Point Software deteta milhares de perfis falsos que vigiam reclamações de passageiros para roubar dados

Check Point Software deteta milhares de perfis falsos que vigiam reclamações de passageiros para roubar dados

Check Point Software alerta para o perigo das reclamações públicas nas redes sociais

Uma investigação recente levada a cabo pela Check Point Software identificou um fenómeno preocupante: milhares de contas falsas no X (antigo Twitter), Facebook e Instagram estão a ser utilizadas para monitorizar queixas dirigidas a companhias aéreas. O objetivo destes criminosos cibernéticos é abordar passageiros que enfrentam problemas como voos atrasados, bagagens perdidas ou pedidos de reembolso, fazendo-se passar por equipas legítimas de apoio ao cliente para extrair informações sensíveis.

De acordo com os dados da Check Point Software, surgem diariamente centenas de novos perfis fraudulentos. Esta dinâmica de criação constante de contas permite que os atacantes substituam rapidamente perfis que venham a ser denunciados ou banidos pelas plataformas, mantendo uma rede de vigilância quase ininterrupta sobre os utilizadores insatisfeitos que recorrem às redes sociais para obter uma resposta rápida das transportadoras.

Como funciona a abordagem dos burlões

O processo de fraude começa no momento em que um passageiro publica uma reclamação pública. Ao identificar a palavra-chave ou a menção à companhia aérea, os perfis falsos detetados pela Check Point Software respondem quase instantaneamente. Utilizando logótipos e terminologia oficial, os atacantes convencem o utilizador de que estão ali para ajudar, movendo rapidamente a conversa para um ambiente mais privado e menos controlado pelas plataformas sociais: o WhatsApp.

O percurso da fraude: Das redes sociais ao WhatsApp

A Check Point Software documentou minuciosamente o percurso que os atacantes obrigam as vítimas a percorrer. Uma vez estabelecido o contacto inicial, o burlão solicita o número de telemóvel do passageiro ou fornece um link para iniciar uma conversa de WhatsApp. É neste canal de comunicação direta que a fraude se concretiza, através da promessa de compensações financeiras rápidas ou reembolsos imediatos.

Para dar um ar de legitimidade ao processo, os criminosos solicitam dados pessoais que um passageiro esperaria fornecer num contexto real, tais como:

  • Informações detalhadas sobre a reserva (código PNR);
  • Documentos de identificação pessoal;
  • Dados completos de cartões bancários para o suposto processamento do reembolso;
  • Códigos de verificação enviados por SMS.

Esta técnica é uma forma clássica de engenharia social, onde o atacante explora o estado emocional da vítima — neste caso, a frustração com um voo cancelado ou uma mala perdida — para baixar as suas defesas e obter informações que, noutra circunstância, o utilizador teria receio de partilhar.

Variantes do esquema identificadas pela Check Point Software

A investigação da Check Point Software permitiu isolar três variantes principais deste esquema fraudulento, cada uma focada em diferentes valores e métodos de recolha de dados:

1. A falsa transferência de 500 dólares

Neste cenário, o atacante promete à vítima uma transferência imediata de 500 dólares como forma de desculpabilização pelo transtorno causado. Para receber este valor, o utilizador é levado a preencher os seus dados bancários num site fraudulento que simula o portal oficial da companhia aérea.

2. Compensação elevada de 1.200 dólares

Numa variante mais agressiva, os burlões propõem uma compensação de 1.200 dólares. O valor elevado serve de isca para que o passageiro aceite seguir instruções mais complexas, que podem incluir a instalação de aplicações maliciosas no telemóvel ou a partilha de credenciais de acesso ao homebanking.

3. O formulário fraudulento de recolha de dados

A terceira variante foca-se na recolha massiva de dados através de um formulário que aparenta ser um documento oficial de reclamação. Aqui, o objetivo principal não é apenas o roubo imediato de dinheiro, mas a obtenção de um dossiê completo sobre a vítima para futuras tentativas de phishing ou para venda em fóruns da dark web.

O impacto da Inteligência Artificial na cibersegurança

Embora a Check Point Software não tenha confirmado de forma definitiva o uso de inteligência artificial nas contas analisadas durante esta investigação específica, a empresa deixa um aviso sério. A IA generativa tem o potencial de elevar esta ameaça a um novo patamar, permitindo aos atacantes gerir milhares de perfis em simultâneo com um nível de personalização sem precedentes.

Segundo a Check Point Software, a IA pode facilitar a comunicação em múltiplos idiomas, eliminando os erros gramaticais que muitas vezes serviam de sinal de alerta para os utilizadores mais atentos. Além disso, permite respostas muito mais rápidas, garantindo que o burlão é o primeiro a chegar à vítima logo após a publicação da queixa.

“O que torna esta campanha preocupante é a facilidade com que transforma uma interação quotidiana de apoio ao cliente numa oportunidade de fraude”, alerta Ben Neeman, Cyber Threat Intelligence Analyst da Check Point Software. O especialista sublinha que a confiança depositada nas marcas é a principal ferramenta utilizada contra os próprios consumidores.

Como se proteger destas burlas em nome de companhias aéreas

Para quem viaja em Portugal ou no estrangeiro, a Check Point Software recomenda vigilância redobrada. É fundamental verificar se a conta que responde a uma queixa possui o selo de verificação oficial da plataforma. Além disso, as companhias aéreas raramente solicitam dados bancários sensíveis ou códigos de acesso através de redes sociais ou WhatsApp.

Caso suspeite de uma abordagem, o utilizador deve interromper o contacto e procurar os canais oficiais de apoio ao cliente listados no site original da transportadora. Lembre-se que, no mundo da cibersegurança, a pressa é muitas vezes a aliada do atacante.

Perguntas Frequentes

Como posso saber se um perfil de apoio ao cliente no X ou Instagram é verdadeiro?

Deve verificar se o perfil possui o selo de autenticidade oficial, a data de criação da conta (contas muito recentes são suspeitas) e o número de seguidores. As contas oficiais de grandes companhias aéreas nunca o encaminharão para um número de WhatsApp pessoal de um assistente para processar reembolsos bancários.

O que devo fazer se partilhei os meus dados com um destes perfis falsos?

Se partilhou dados de cartões ou credenciais bancárias, contacte o seu banco imediatamente para cancelar os cartões e bloquear acessos. Deve também alterar as suas palavras-passe e reportar o perfil falso à rede social onde o contacto ocorreu para evitar que outros utilizadores sejam vítimas.

Porque é que as reclamações públicas atraem tantos burlões?

As reclamações públicas são visíveis para qualquer pessoa e demonstram que o utilizador está numa situação vulnerável ou de urgência. Como identificado pela Check Point Software, os burlões utilizam ferramentas automatizadas para monitorizar palavras-chave e agir rapidamente antes que o apoio ao cliente legítimo consiga responder.

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