Check Point Software: Portugal sofre 2 648 ciberataques semanais e supera média mundial

A Check Point Software revela que Portugal registou 2 648 ciberataques semanais em agosto, um valor 28% superior ao ano passado e 9% acima da média global.
Portugal sob pressão: O relatório da Check Point Research
Os dados mais recentes divulgados pela Check Point Research, a divisão de inteligência de ameaças da Check Point Software, colocam Portugal numa posição de vulnerabilidade crescente no mapa da cibersegurança mundial. De acordo com o comunicado, as organizações portuguesas enfrentaram, durante o mês de agosto, uma média de 2 648 tentativas de ataque por semana. Este número representa um crescimento acentuado de 28% em comparação com o período homólogo de 2023, demonstrando que os atacantes estão a intensificar os seus esforços contra infraestruturas nacionais.
Um dos pontos mais preocupantes sublinhados pela Check Point Software é o facto de Portugal estar agora 9% acima da média mundial no que toca à frequência de ataques. Isto significa que uma empresa ou entidade pública a operar em solo português tem, estatisticamente, uma probabilidade maior de ser alvo de uma tentativa de intrusão do que a média das organizações a nível global. Este cenário obriga a uma revisão das estratégias de defesa digital, especialmente num país onde a digitalização de serviços tem avançado rapidamente.
Setores da Educação e Administração Pública são os alvos principais
A análise detalhada da Check Point Research identifica claramente quais os setores que estão a sofrer a maior pressão em Portugal. No topo da lista encontram-se a Educação e a Administração Pública. Estes setores são particularmente apetecíveis para os cibercriminosos por diversas razões estratégicas e técnicas.
Vulnerabilidades no setor do ensino
Na Educação, a Check Point Software nota que a dispersão de dados de estudantes, investigadores e docentes, aliada a redes muitas vezes abertas e heterogéneas, facilita a entrada de agentes maliciosos. O roubo de propriedade intelectual em universidades e a interrupção de serviços escolares são táticas comuns para exigir resgates ou vender dados em fóruns da dark web.
O risco na Administração Pública
No caso da Administração Pública, o risco é ainda mais crítico. A Check Point destaca que estas entidades gerem dados sensíveis de cidadãos e infraestruturas vitais para o funcionamento do país. Um ataque bem-sucedido a uma autarquia ou organismo estatal pode paralisar serviços essenciais, causar danos reputacionais severos e expor informações confidenciais que comprometem a segurança nacional.
O crescimento alarmante do Ransomware a nível global
A Check Point Software não se limitou a analisar o mercado português, fornecendo também um contexto internacional que ajuda a compreender a gravidade da situação. Um dos dados mais impactantes é o facto de o ransomware quase ter duplicado em relação ao ano anterior. Foram contabilizados 1 042 ataques de ransomware divulgados publicamente em todo o mundo.
Para o utilizador menos familiarizado com o termo, o ransomware é um tipo de malware (software malicioso) que encripta os ficheiros de uma organização, impedindo o acesso aos mesmos. Os atacantes exigem então o pagamento de um resgate, geralmente em criptomoedas, para fornecerem a chave de desencriptação. A Check Point Research alerta que esta modalidade continua a ser uma das ferramentas mais lucrativas e perigosas para os grupos de cibercrime organizado.
A Europa, em particular, está no centro desta tempestade digital. Segundo os dados da Check Point Software, o continente europeu registou o maior crescimento anual de ciberataques em todo o mundo, com uma subida de 28%, igualando a taxa de crescimento verificada especificamente em Portugal.
A Inteligência Artificial Generativa como novo vetor de risco
Uma das conclusões mais inovadoras deste comunicado da Check Point Software prende-se com a utilização de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) generativa, como o ChatGPT ou o Gemini. A investigação apurou que uma em cada 43 interações com estas ferramentas apresenta um risco elevado de exposição de dados.
Este perigo surge quando utilizadores, muitas vezes sem intenção maliciosa, inserem informações confidenciais da empresa — como códigos-fonte, planos estratégicos ou dados de clientes — nos modelos de IA para obterem resumos ou ajuda na redação. A Check Point Software avisa que estes dados podem ser integrados no treino dos modelos ou ficar acessíveis de formas não previstas, criando uma brecha de segurança difícil de monitorizar pelas equipas de TI tradicionais.
Resumo dos principais indicadores da Check Point
Para facilitar a compreensão do panorama atual traçado pela Check Point Software, aqui ficam os números e conclusões fundamentais:
- Portugal: 2 648 ciberataques semanais (média de agosto).
- Crescimento Nacional: Aumento de 28% face ao ano anterior.
- Média Mundial: Portugal está 9% acima dos valores globais.
- Setores em Risco: Educação e Administração Pública lideram a lista de alvos em Portugal.
- Ransomware Global: 1 042 ataques divulgados, quase o dobro do ano passado.
- Risco de IA: 1 em cada 43 interações com IA generativa coloca dados em risco de exposição.
- Crescimento na Europa: Subida de 28% nos ataques, a maior a nível mundial.
Este retrato revela que Portugal acompanha a aceleração da ameaça digital e mantém níveis de exposição superiores à média internacional, exigindo uma vigilância constante por parte das empresas e instituições nacionais.
Perguntas Frequentes
Porque é que Portugal tem mais ataques que a média mundial segundo a Check Point?
De acordo com os dados da Check Point Software, Portugal enfrenta 2 648 ataques semanais, o que representa um valor 9% superior à média mundial. Este fenómeno deve-se à aceleração da digitalização no país e ao facto de os atacantes aproveitarem vulnerabilidades específicas em setores como a Educação e a Administração Pública, que são os mais visados em território nacional.
O que é o ransomware mencionado pela Check Point Research?
O ransomware, que a Check Point Research refere ter duplicado a nível global, é um software malicioso que bloqueia o acesso aos sistemas ou dados de uma empresa através de encriptação. Para que a vítima recupere o acesso, os criminosos exigem o pagamento de um resgate. Em agosto, foram divulgados 1 042 ataques deste tipo em todo o mundo.
Como é que a Inteligência Artificial pode pôr os meus dados em risco?
A Check Point Software alerta que uma em cada 43 interações com ferramentas de IA generativa pode levar à exposição de dados. Isso acontece quando utilizadores partilham segredos comerciais, dados pessoais ou documentos confidenciais com estas plataformas, sem perceberem que essas informações podem sair do controlo de segurança da organização.
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